Budismo sul-coreano atrai a geração Z com cultura pop

Budismo sul-coreano atrai a geração Z com cultura pop

O renascimento do budismo na Coreia do Sul

A Coreia do Sul, um país que viu sua religiosidade diminuir ao longo dos anos, está testemunhando um fenômeno interessante: o budismo está recuperando sua popularidade, especialmente entre os jovens. A crescente influência da cultura pop é um dos principais fatores para essa mudança, com a Geração Z se envolvendo cada vez mais com essa fé, atraídos por festivais, moda e eventos inovadores.

A Exposição Internacional Budista de Seul

A Exposição Internacional Budista de Seul é um exemplo claro dessa tendência. Este ano, o evento atraiu um número recorde de 250 mil visitantes, sendo que dois terços deles estão entre 14 e 29 anos, e aproximadamente metade não se consideram religiosos. Essa participação massiva indica que a combinação de elementos modernos com a tradição budista está ressoando fortemente com os jovens.

Percepções mais favoráveis sobre o budismo

Apesar da carência de novos adeptos, a percepção do budismo se tornou mais positiva, conforme evidenciado por uma "Pesquisa de Percepção da Religião" de 2025, feita pela Korea Research. A religião aparece como uma das mais favoráveis entre as quatro principais crenças analisadas.

Turismo religioso em expansão

Além disso, o turismo religioso está se expandindo na Coreia do Sul. Milhares de visitantes, tanto locais quanto internacionais, participam de retiros que incluem "estadia em templos", onde podem meditar, realizar tarefas simples e experimentar a vida monástica. A combinação dessa experiência com shows e eventos, como o mencionado "Gongo do Sutra do Calor", com DJs e música eletrônica, busca atrair uma nova audiência.

A nova imagem do budismo

A Ordem Jogye, a principal facção budista sul-coreana, está ciente de que a imagem do budismo deve ser renovada. O porta-voz Myojang comentou: "A forma como as gerações mais jovens se relacionam com a religião está mudando... Tentamos nos comunicar de uma maneira que faça sentido para elas." Isso inclui o uso de robôs humanos em cerimônias, uma estratégia que, no entanto, gerou críticas por ser vista como uma banalização da vida monástica.

A preocupação com o consumismo

Enquanto alguns, como a estudante Sun Min-ji, veem essa nova abordagem como uma forma de eliminar barreiras e atrair jovens, críticos alertam que essa comercialização pode transformar a religião em uma mera tendência passageira. O editorial do jornal Hyunbulnews expressou sua preocupação: "Se o budismo for consumido meramente como uma 'boa imagem', sua recente popularidade poderá se revelar pouco mais do que uma tendência passageira".

Um futuro adaptado

Embora as adesões religiosas não tenham mudado significativamente, o budismo está se moldando para se adaptar às necessidades da nova geração. Brian Somers, professor assistente de estudos budistas na Universidade Dongguk, afirmou: "O budismo moderno é o budismo em uma forma adaptada, desde que os ensinamentos sejam mantidos." Para muitos, essa adaptação é vista como uma oportunidade de revitalizar uma fé que, embora tradicional, pode encontrar novas formas de ressoar na sociedade contemporânea.