Biquíni de lacinho pode se tornar patrimônio cultural do Rio

Biquíni de lacinho pode se tornar patrimônio cultural do Rio

O biquíni de lacinho como patrimônio cultural

O biquíni de lacinho, icônico no beachwear, pode se tornar patrimônio cultural imaterial do Rio. Criado em 1972 por David Azulay, da Blueman, o modelo reflete a identidade carioca globalmente. Um projeto de lei, proposto pela vereadora Joyce Trindade, visa reconhecer a moda como parte do DNA cultural do Rio, fortalecendo o setor com apoio institucional e financeiro.

Uma pergunta famosa sobre a origem do biquíni

Em fevereiro, no programa "Domingão com Huck", no quadro "Quem quer ser um milionário", uma pergunta viralizou: Quem era o criador do famoso biquíni de lacinho? O participante errou, cravando que o "inventor" seria um designer francês. Na verdade, como se sabe, foi David Azulay, fundador da Blueman, no Rio.

A criação do modelo e seu impacto

A criação e a origem dessa criação agora foi além: o modelo de lacinho está às vias de virar patrimônio cultural imaterial da cidade do Rio. O projeto já foi protocolado e será votado em agosto.

Sobrinho de David, o diretor criativo Thomaz Azulay está à frente da iniciativa: "O fato é que esse é um produto original do Brasil, e precisamos valorizar o esforço identitário que existiu para nos desvencilharmos de tantas estéticas e normas eurocentradas para vestir essa camisa tropical".

Recordações e a história do biquíni

Filha única de David, Sharon Azulay lembrou em entrevista publicada na ELA em 2022, quando a Blueman completou meio século: "Meu pai tinha uma ideia fixa: seguiria, não importava a maneira, os passos do irmão mais velho, Simão Azulay, da mítica Yes, Brazil. Como ele foi trabalhar com moda, o caçula não titubeou em acompanhá-lo. Mas do seu jeito. Certa vez, encontrou um biquíni jeans, feito por meu tio, jogado num canto e saiu oferecendo a peça aos lojistas de Copacabana. Numa única tarde, tirou 1.600 pedidos”, recorda a designer. “Na hora da entrega, surgiu uma questão: o look não passava pelas pernas das mulheres por falta de elastano. A solução foi rasgar as laterais e unir as pontas com ‘lacinhos’. Nasciam ali duas das mais emblemáticas invenções do beachwear.”

A importância da moda no Rio

Amanda Mendonça, secretária executiva do conselho de moda do Rio, explica todo o processo. "A moda no Rio sempre foi tratada como vitrine, nunca como política pública de verdade. O biquíni completa 80 anos, mas foi no Brasil, em 1972, que David Azulay criou a sua verdadeira revolução: o biquíni de lacinho, hoje símbolo de uma indústria gigantesca, que gera emprego, renda e projeção para a cidade. A moda já é uma área reconhecida pela Lei Municipal de Incentivo à Cultura (Lei nº 5.553/13), o que significa que projetos do setor podem ser financiados com recursos públicos - mas isso ainda é pouco explorado. Por isso, em interlocução direta da Prefeitura do Rio com a Câmara dos Vereadores, através da vereadora Joyce Trindade, temos trabalhado para fortalecer um sistema de moda carioca de verdade: com institucionalidade, financiamento e continuidade, e não apenas eventos isolados", diz Amanda. Esse projeto de lei é um reconhecimento que dá um passo nessa direção: tratar a moda e o biquíni de lacinho como o que eles realmente são, parte fundamental do DNA carioca reproduzido no mundo todo", emenda.

Reconhecimento da identidade carioca

A vereadora Joyce Trindade completa: "O Rio de Janeiro sempre exportou cultura, comportamento e tendências para o mundo, e o biquíni de lacinho é um símbolo dessa identidade carioca. O projeto de lei que protocolei é inédito porque, até hoje, a Câmara reconhecia como patrimônio imaterial manifestações culturais, tradições e práticas populares, nunca uma peça de vestuário", analisa. "Mais do que reconhecer um símbolo, estamos criando um instrumento legal de proteção e de valorização que fortalece a cultura, movimenta o turismo e amplia a forma como a cidade enxerga a própria criatividade. Além de orientar política pública, estamos falando de moda e também de identidade, pertencimento e de um novo olhar sobre aquilo que faz o Rio ser referência para o mundo.”