Vídeo de cachorro com panda é fake e gerado por IA
01/07/2026, 06:30:04
Ferramenta de detecção de IA apontou probabilidade de 99,9% de cena ser sintética. Outra plataforma indicou 'múltiplos sinais' de uso desse recurso.
Circula nas redes sociais o vídeo de um cachorro entrando em casa enquanto carrega, na boca, um filhote de panda que, inicialmente, parece de brinquedo – mas, após um banho, revela-se que o bicho seria real. É #FAKE.
🔴 Como é o vídeo falso?
Publicado no X em 28 de abril, o post tem a seguinte legenda, em inglês: "Um cachorro chega em casa com um brinquedo sujo, mas não é um brinquedo de verdade". A descrição omite que se trata de um conteúdo fabricado com inteligência artificial (IA), como comprovam detectores de cenas criadas com esse recurso.
Enquanto as cenas são exibidas, caixas de texto sobrepostas às imagens dizem: "Meu cachorro trouxe um brinquedo sujo lá de fora. Não era um brinquedo. Era um filhote de panda de verdade. Eu o sequei direitinho. Ele também parecia estar com muita fome. Quem diria? Um cachorro e um panda dormindo juntos. Algumas semanas se passaram e ele ficou maior. Minha filha também gosta dele. Aparentemente, era a mãe dele. Nós o vimos partir. Mas foi a decisão certa". A trilha sonora do conteúdo é a dúsica "Someone you loved" ("Alguém que você amou"), de Lewis Capaldi. Entre os 635 comentários, em diferentes idiomas, usuários parecem acreditar na história ou pelo menos sugerem dúvida.
⚠️ Por que É #FAKE?
O Fato ou Fake usou a plataforma InVID para fragmentar o vídeo em diversos frames (imagens estáticas). Depois, submeteu essas "fotos" a três detectores de IA – e todos apontaram o uso desse recurso. Veja o resultado das análises:
- Hive Moderation - probabilidade de 99,9% de as cenas serem sintéticas.
- Detectvideo AI - "múltiplos sinais forenses estão elevados, resultando em uma probabilidade de 61% de IA/manipulação".
- SightEngine - 56% de probabilidade de o material conter IA.
Para descobrir a origem do vídeo, o Fato ou Fake fez uma busca reversa por cada um dos frames em motores de busca, como Google Lens. Essa pesquisa permite saber se as imagens já circulavam antes na internet – e em que contexto. Os resultados indicaram que as versões mais antigas estão no ar desde 6 de março. Também atestam que não foram publicados em fontes confiáveis, como sites jornalísticos ou páginas oficiais de instituições, capazes de adicionar contexto factual às cenas e explicar quando e onde ocorreram.
