Bate-boca no julgamento de PMs acusados de assassinato do PCC
29/06/2026, 05:20:03
Bate-boca no julgamento causa anulação da audiência
Imagens obtidas pelo Fantástico mostram trechos do julgamento de três policiais militares acusados de executar o empresário Antônio Vinícius Gritzbach, delator do PCC, morto a tiros no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em novembro de 2024. O Tribunal do Júri, considerado um dos mais aguardados do ano, foi anulado após uma sequência de confrontos entre acusação e defesa. A audiência foi remarcada para 22 de fevereiro de 2027.
Fernando Genauro, Juan Silva Rodrigues e Denis Martins respondem pela morte de Gritzbach, que foi atingido por 27 disparos de fuzil ao desembarcar no aeroporto. O ataque também vitimou o motorista de aplicativo Celso Araújo Sampaio de Novais, que não tinha relação com o caso, e deixou outras duas pessoas feridas.
Investigação e alegações
A investigação aponta que Genauro dirigia o veículo usado na ação, e exames de DNA encontrados no carro e em roupas apreendidas com as armas identificaram Rodrigues e Martins como os atiradores. Os três negam participação no assassinato. Meses antes do atentado, Grizbach, acusado de mandar matar um integrante do alto escalão do PCC, havia feito um acordo de colaboração premiada com o Ministério Público. Ele revelou como lavava dinheiro para integrantes da facção e denunciou um grupo de policiais civis por corrupção.
Pontos de discórdia no tribunal
Durante o julgamento, a defesa dos policiais militares alegou que o inquérito é falho por não aprofundar a investigação sobre os policiais civis denunciados por Gritzbach. O Ministério Público destacou que esses policiais civis foram investigados até mesmo pela Polícia Federal, mas não foram encontradas ligações entre eles e o assassinato.
Um parecer produzido a pedido da defesa contesta os resultados dos exames de DNA. Os advogados argumentam que a evidência foi contaminada para criar suspeitos. No tribunal, o perito da polícia responsável pela coleta contestou tal documento, afirmando: "Houve uma confusão da parecerista com documentos diferentes". A defesa protestou, alegando que se a situação fosse ao contrário, haveria forte repressão por parte do Ministério Público.
Tensões no tribunal
Em um dos momentos mais intensos, um advogado ironizou o promotor: "O senhor quer combinar com a testemunha de novo? O senhor quer cinco minutinhos para falar com ele? Eu vou até ao banheiro se o senhor quiser conversar de novo". O promotor rebateu, dizendo: "O senhor conversa com bandido, eu converso com polícia". Além disso, o promotor se referiu aos réus como "bandidos, travestidos de policiais e matadores de aluguel".
As tensões aumentaram novamente quando o promotor questionou um oficial da Corregedoria da Polícia Militar sobre outra investigação não relacionada ao caso de Gritzbach: um atentado contra Mauro Ribas, um dos advogados de defesa. Após a troca de acusações, os advogados deixaram o plenário, levando o juiz a decidir pela anulação do julgamento. O Ministério Público pediu a punição dos advogados, mas o magistrado rejeitou, argumentando que a acusação havia imputado fraude a um dos defensores durante a sessão.
