Quem concorre sozinho, deseja governar sozinho. Quem apoiar é tolo.

Quem rejeita alianças na campanha dificilmente dividirá poder no governo; quem embarca nesse projeto corre o risco de servir apenas como escada eleitoral.

Quem concorre sozinho, deseja governar sozinho. Quem apoiar é tolo.

Na política, não existe gesto sem significado. Quem decide disputar uma eleição rejeitando alianças, dispensando apoios e tratando todos como adversários faz uma escolha consciente: demonstra que acredita bastar a si mesmo.

Quem quer caminhar sozinho durante a campanha dificilmente aceitará dividir decisões depois de eleito. Afinal, quem não confia em ninguém para vencer também não confiará para governar.

O eleitor precisa observar esse comportamento. Há uma enorme diferença entre independência e arrogância. A primeira preserva princípios; a segunda despreza o diálogo. E governos construídos sobre vaidades costumam produzir isolamento, perseguições e decisões concentradas nas mãos de poucos.

Mais curioso ainda é ver lideranças correndo para apoiar quem nunca abriu espaço para ninguém. Investem tempo, prestígio e capital político em projetos que, depois da vitória, fecham-lhes as portas. Tornam-se meros instrumentos de campanha, facilmente descartáveis quando os votos são apurados.

Na política, quem concorre sozinho geralmente deseja governar sozinho. E quem insiste em apoiar alguém que nunca demonstrou espírito de parceria dificilmente poderá reclamar depois. A ingenuidade, quando repetida, deixa de ser inocência e passa a ser escolha.

Creditos: Professor Raul Rodrigues