Ações judiciais tentam calar a imprensa alagoana

Ações movidas pelo ex-prefeito de Maceió e pela Federação PSDB/Cidadania contra profissionais da imprensa e empresas jornalísticas dão a tônica nesta pré campanha.

Ações judiciais tentam calar a imprensa alagoana

Um levantamento realizado pelo Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL) ganhou repercussão nacional ao ser destacado na coluna do jornalista Lauro Jardim, no jornal O Globo. O motivo foi a constatação de um expressivo número de ações judiciais movidas pelo ex-prefeito de Maceió, JHC, contra jornalistas e veículos de comunicação que divulgaram reportagens relacionadas ao investimento de R$ 117 milhões do Iprev no Banco Máster, durante sua gestão à frente da capital alagoana.

De acordo com as informações divulgadas, aproximadamente 35 processos foram ajuizados contra profissionais da imprensa e empresas de comunicação. As ações têm como foco reportagens que abordaram o polêmico aporte financeiro realizado pelo Iprev na instituição financeira ligada ao banqueiro fraudulento Daniel Vorcaro.

A ofensiva judicial não se restringiu ao ex-prefeito. A Federação PSDB/Cidadania, da qual JHC faz parte, também ingressou com medidas judiciais visando a retirada de conteúdos jornalísticos da internet e de meios impressos. As iniciativas buscavam impedir ou restringir a circulação de informações relacionadas ao caso, levantando preocupações sobre possíveis tentativas de censura e intimidação da atividade jornalística.

Entre os alvos das ações estão diversos profissionais e veículos de comunicação alagoanos. Além do Blog do Fábio Andrey, figuram entre os atingidos os jornalistas Bleine Oliveira e João Mendonça, bem como os portais Folha de Alagoas, Jovem Pan News Maceió, Tribuna do Sertão, CBN Maceió, Bancada Negra e Portal BR News.

Em uma sociedade democrática, a imprensa exerce papel fundamental na fiscalização dos agentes públicos e na divulgação de informações de interesse coletivo. Não é colocando uma peneira diante do sol que alguém conseguirá transformar um dia claro em nublado. Os fatos de interesse público continuam existindo e, em uma democracia saudável, devem permanecer ao alcance do conhecimento da população.

Creditos: Professor Fábio Andrey