Telecirurgia no SUS avança com investimento federal

Telecirurgia no SUS avança com investimento federal

Investimento do Governo Federal

O governo federal anunciou um investimento de R$ 50 milhões para estruturar uma rede de telecirurgia robótica no Sistema Único de Saúde (SUS), conectando o Hospital de Amor em Barretos (SP) a Porto Velho (RO), com início das operações previsto para julho de 2026. Este anúncio ocorre em um contexto onde o Brasil já acumula marcos importantes nesta área.

Marcos na Telecirurgia Brasileira

Em outubro de 2025, o Brasil realizou a primeira telecirurgia robótica do mundo utilizando internet de baixo custo, conectando João Pessoa (PB) a Curitiba (PR) em um procedimento que mobilizou 42 profissionais e 17 empresas. Além disso, em fevereiro de 2026, a FMUSP realizou as primeiras telecirurgias robóticas do SUS, com uma equipe presencial de pelo menos 15 profissionais na sala cirúrgica, garantindo um acompanhamento técnico contínuo dos braços robóticos.

Crescimento Global do Setor

A expansão do setor de robótica cirúrgica está ocorrendo em um mercado global em aceleração. O mercado de robótica cirúrgica atingiu US$ 12,49 bilhões em 2025 e projeta um crescimento de 14,95% ao ano até 2035, quando deve alcançar US$ 50,29 bilhões, segundo a Precedence Research. Um dado alarmante é que cerca de 59% dos hospitais relatam atrasos na implantação de robôs cirúrgicos devido à escassez de profissionais técnicos capacitados.

A Importância do Suporte Técnico

Matheus Moreira Soares, especialista em suporte técnico intraoperatório e manutenção de equipamentos médico-cirúrgicos, destaca a importância de um suporte especializado na telecirurgia. Ele enfatiza que, quando um sistema de videocirurgia falha durante um procedimento laparoscópico, o tempo de resposta técnica se torna uma questão clínica, podendo afetar diretamente o desfecho da cirurgia.

“Quando um sistema de videocirurgia falha no meio de um procedimento laparoscópico, o tempo de resposta técnica não é uma questão logística, é uma questão clínica.”

Esse gargalo de profissionais capacitados não se limita ao Brasil. O mercado americano de telecirurgia deve crescer de US$ 1,2 bilhão em 2025 para US$ 3,6 bilhões em 2031, sendo a escassez de treinamento especializado um dos principais fatores travando a adoção da tecnologia.

Protocólos para Superar Desafios

Para abordar esses desafios, Moreira Soares desenvolveu o Protocolo SCIDP, que visa padronizar a operação dos sistemas de videocirurgia. A aplicação deste protocolo levou a uma redução estimada de 30% a 45% nas falhas técnicas intraoperatórias.

Além disso, ele estruturou a metodologia ICSIP, que monitora continuamente o equipamento, evitando a necessidade de parar o procedimento para intervenções. Isso ajuda a eliminar falhas e otimizar a segurança operacional durante as cirurgias.

Conclusões e Desafios Futuros

Com a combinação entre a rápida expansão da tecnologia e a falta de profissionais com formação técnica especializada, os hospitais enfrentam desafios significativos em termos de segurança e custo operacional.

“Expansão de cirurgia robótica sem formação técnica especializada em suporte intraoperatório é uma equação incompleta.”

Essa falta de profissionais pode resultar em cancelamentos de procedimentos, riscos clínicos e retrabalho de manutenção, impactando diretamente a eficácia da telecirurgia no Brasil e no mundo.