O papel emocional dos avós na vida dos netos
16/06/2026, 06:27:04
O papel emocional dos avós na vida dos netos
Kenneth Barish, professor de psicologia da Weill Cornell Medicine, afirma que o relacionamento com os netos proporciona momentos de escuta e encorajamento para as crianças.
Nos Estados Unidos, mais de 40% dos adolescentes relatam sentimentos persistentes de tristeza ou desesperança. Para Kenneth Barish, professor de psicologia da Weill Cornell Medicine e membro da Associação Americana de Psicologia, a erosão das redes de apoio familiar contribuiu para esse quadro. Em seu novo livro, The Art and Science of Parenting and Grandparenting (A Arte e a Ciência de Ser Pai/Mãe e Ser Avô/Avó, em tradução livre), reflete sobre quatro décadas de trabalho clínico – reunindo percepções da neurociência, pesquisas sobre o desenvolvimento infantil e programas educacionais – para defender o argumento de que os avós têm um papel fundamental para enfrentar os desafios modernos da criação dos filhos.
“Ao longo de várias décadas, os Estados Unidos se tornaram cada vez mais uma sociedade do Eu, não do Nós. Em muitas famílias e comunidades, a preocupação com a realização individual corroeu os valores da gentileza e do cuidado na vida de nossos filhos”, afirma.
As crianças precisam de alguém em suas vidas que as escute, que as ajude a se sentirem menos sozinhas e que as ensine que os problemas podem ser resolvidos – e os avós são especialmente eficientes nesse aspecto. Pesquisas mostram que a pressão intensa por conquistas leva a altas taxas de ansiedade, depressão e abuso de substâncias. Barish acredita que o antídoto reside em ajudar crianças e jovens a desenvolver um senso de propósito que vá além do sucesso pessoal: “A realização individual por si só é uma fonte frágil de motivação, com um custo alto em ansiedade e estresse”. Mais do que qualquer outra coisa, as crianças precisam de alguém em suas vidas que as escute, que as ajude a se sentirem menos sozinhas e que as ensine que os problemas podem ser resolvidos, os relacionamentos podem ser reparados e os sentimentos ruins não duram para sempre – e os avós são especialmente eficientes nesse aspecto.
O autor chama os avós de “moléculas de saúde emocional”, porque proporcionam momentos de escuta e encorajamento que fortalecem os “sistemas imunológicos emocionais” de seres em formação. “A expectativa confiante de uma criança de que alguém irá ouvi-la e compreendê-la é a melhor proteção contra os patógenos emocionais que ela experimentará ao longo de sua infância”, explica.
Outras maneiras práticas pelas quais os avós podem ajudar incluem criar momentos de brincadeira e diversão, que constroem emoções positivas, e expressar entusiasmo pelos interesses e objetivos dos netos. Em descoberta que contraria o senso comum, Barish relata que uma questão recorrente em seu trabalho não é o excesso de elogios, mas sim as críticas não intencionais de familiares bem-intencionados. “A crítica não motiva as crianças a se esforçarem. Em vez disso, frequentemente gera ressentimentos e sabota sua iniciativa”, analisa.
Citando o conceito de “mentalidade de crescimento”, de Carol Dweck, o professor distingue o elogio que promove a resiliência daquele que cria fragilidade: “Elogie o esforço, não a inteligência ou o talento. Elogie o aprendizado, não as notas”, ensina. No livro, propõe envolver as crianças em conversas colaborativas de resolução de desafios e lhes oferecer a chance de “recomeçar”.
“Ajudar nossos filhos e netos a terem sucesso na vida é menos sobre ensinar habilidades e mais sobre ter conversas; menos sobre ganhar recompensas e mais sobre aprender a lidar com sentimentos dolorosos; menos sobre desimpedir um caminho para o sucesso e mais sobre fortalecer um sentimento interno de confiança e orgulho. Assim esses jovens irão trabalhar mais arduamente, recuperar-se mais rapidamente, demonstrar mais cuidado e gentileza para com os outros e buscar interesses com maior entusiasmo, compromisso e senso de propósito”, finaliza.
