Lula discute minerais críticos e IA no G7
15/06/2026, 10:46:08
Chegada ao G7 e encontro com a Suíça
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou na manhã desta segunda-feira à cúpula do G7 e se reuniu com o presidente da Suíça, Guy Parmelin. \"A Suíça é uma das principais fontes de investimento direto no Brasil. Ao discutirmos o comércio bilateral, nos comprometemos a trabalhar para a diversificação da agenda de exportações. O Presidente Parmelin e eu concordamos que o Acordo Mercosul-EFTA representa uma oportunidade para expandir o comércio bilateral em um contexto global de crescente protecionismo e unilateralismo. Ainda no âmbito bilateral, decidimos ampliar a cooperação em áreas como Inteligência Artificial, transição energética, minerais críticos, biotecnologia, saúde e defesa, entre outras\", escreveu Lula nas redes.
Críticas às tarifas americanas
Lula pretende usar sua participação na cúpula do G7, na próxima terça e quarta-feira, em Évian-les-Bains, para reforçar críticas à possibilidade de um novo tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Segundo integrantes do governo, não houve pedido para uma reunião reservada com o presidente americano e não há agenda oficial entre os dois prevista até o momento. Isso, porém, não impede que os dois líderes tenham uma conversa informal à margem do encontro, como ocorreu na reunião da Organização das Nações Unidas (ONU) no ano passado e que abriu as portas para uma relação mais direta entre os dois presidentes.
Tarifa de 25% e outros desafios
Lula anunciou sua ida ao G7 um dia após a divulgação das conclusões de uma investigação conduzida pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana, que sugeriu a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Embora o Brasil não integre o grupo das maiores economias do mundo, foi convidado pelos anfitriões franceses a participar da cúpula e vinha deixando em aberto a possibilidade de participar do evento.
Análise sobre reuniões formais
Auxiliares de Lula avaliam que não haveria ganho político em buscar uma reunião formal neste momento, apesar das recentes iniciativas da Casa Branca envolvendo o Brasil, mas uma conversa informal pode ser um caminho para a busca de um recuo dos americanos. O presidente brasileiro já tem encontros previstos com o presidente da França, Emmanuel Macron, e com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi.
Decisões controversas dos EUA
Além da tarifa de 25%, os Estados Unidos estudam impor uma taxa adicional de 12,5% a cerca de 60 países, entre eles o Brasil, sob a alegação de falhas relacionadas ao combate ao trabalho forçado. Também causaram desconforto no governo brasileiro a decisão americana de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas e a recepção dada por Trump ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na Casa Branca.
Expectativas para o encontro
Entre as medidas adotadas pelos Estados Unidos, integrantes do governo consideram que a única com possibilidade de revisão no curto prazo é a proposta de sobretaxa de 25%. O tema já vem sendo tratado por um grupo de trabalho criado após a reunião entre Lula e Trump, em 7 de maio. Na avaliação do Planalto, não faria sentido levar a discussão diretamente aos presidentes enquanto existe um canal institucional aberto entre integrantes do alto escalão dos dois países.
No sábado, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Elias Rosa, participou de uma reunião virtual com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer. De acordo com o ministério, uma nova rodada técnica de negociações deverá ocorrer nos próximos dias.
Discurso diplomático
Mesmo sem um encontro direto entre os dois presidentes, Lula deve abordar o tema das tarifas em sua intervenção na cúpula. A pauta da terça-feira será dedicada aos desequilíbrios macroeconômicos globais, espaço que o presidente pretende utilizar para criticar o unilateralismo e o que considera um enfraquecimento da Organização Mundial do Comércio (OMC). Na última quinta-feira, Lula afirmou que Trump \"não foi eleito para ser imperador do mundo\". No G7, contudo, a expectativa de auxiliares é que o presidente brasileiro adote um discurso mais diplomático, compatível com o ambiente do encontro.
