Remissão total do câncer após tratamento CAR-T Cell

Remissão total do câncer após tratamento CAR-T Cell

Uma luta vencida

Um dos primeiros a participar do tratamento de terapia celular, o publicitário Paulo Peregrino, de 64 anos, diz que ainda se emociona ao olhar as imagens do exame que compara o antes e o depois do caso dele. Antes de testar a terapia em 2023, Paulo enfrentou 50 sessões de quimioterapia e um transplante de medula óssea sem obter resultados eficazes contra a doença. Em 2022, o paciente aceitou participar do estudo clínico após ver que a doença estava sem controle.

O tratamento inovador

Em março de 2023, ele testou a terapia celular pela primeira vez e, em 48 dias, os linfomas, que estavam espalhados pelo corpo todo do publicitário, desapareceram. Desenvolvida pela USP, a terapia celular apresentou resultados positivos, com redução ou desaparecimento de tumores em cerca de 9 em cada 10 pacientes analisados na pesquisa. O método consiste em reprogramar geneticamente os linfócitos do próprio paciente em laboratório.

A trajetória de Paulo

Até o momento, 25 pessoas já receberam o tratamento no estudo clínico. Paulo foi diagnosticado com linfoma não-Hodgkin em 2018. Ele compartilha: 'Foi feito um scan logo que eu entrei no HC de São Paulo para fazer a última fase, no dia 6 de março. Meu corpo estava todo tomado pelo linfoma, então todo sistema linfático da cabeça até a perna, tudo estava tomado. Um mês depois, em abril, o petscan que mostrou meu corpo todo limpo. A remissão foi total, como se tivesse passado uma borracha'.

Resultados significativos

Novos resultados do estudo, indicam que aproximadamente 9 em cada 10 pacientes tiveram redução significativa ou desaparecimento do tumor após o tratamento. Nesta ano, Paulo completa dois anos de remissão total da doença. Mas muito antes, em 2010, ele já tinha enfrentado outro câncer. Hoje, Paulo está curado.Down

O impacto emocional

Ele ainda nos conta: 'Para mim, [2023] foi o auge de uma luta de 13 anos contra o câncer. Eu sempre falo, quando a enfermeira chegou no quarto trazendo uma caixa térmica e tirou dali uma bolsa de sangue, eu olhei e falei 'isso aí é o CAR-T Cell?' Ela falou 'sim'. E aí eu falei 'quanto tempo vai demorar?' Ela falou 'uns 45 minutos'. Eu fico até um pouco emocionado, porque em uma hora, teoricamente, você consegue resolver um problema de 13 anos. Então esse é o segredo da ciência.'

Como funciona o CAR-T Cell

O CAR-T Cell envolve a retirada de glóbulos brancos, que são as células de defesa do organismo do paciente, por meio da coleta de sangue pela veia. Conhecidos como linfócitos, eles são reprogramados geneticamente em laboratório para reconhecer e combater as células cancerígenas. Até o momento, 75 participantes já foram incluídos no estudo clínico, dos quais 25 receberam a infusão do produto com células CAR-T. A pesquisa previsão o recrutamento de pelo menos 100 pacientes.

Expectativas futuras

Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) indicam que o número estimado de casos de linfoma não Hodkgin no Brasil, para cada ano do triênio 2026 a 2028, é de 12.560 novos registros. A expectativa é que o tratamento esteja mais acessível e amplamente utilizado. Paulo afirma que estava praticamente desenganado quando surgiu a oportunidade de seguir o tratamento com o CAR-T Cell, considerado revolucionário.

Um novo começo

Com a consolidação dos testes clínicos, pesquisadores conseguiram taxas de até 87,5% de eficácia em pacientes com leucemia linfoide aguda B e linfoma não-Hodgkin B. O próximo passo será o pedido de registro definitivo dessas terapias nacionais, abrindo caminho para oferecer a tecnologia pelo SUS.