JHC enjaulado ou empurrado? Sem definição de candidatura pode sonhar grande e acordar pequeno

Enquanto governo e oposição definiram alianças, chapas e redutos eleitorais, a demora de JHC em revelar seus planos abriu espaço para adversários consolidarem posições e reduzirem suas opções para 2026.

JHC enjaulado ou empurrado? Sem definição de candidatura pode sonhar grande e acordar pequeno

O silêncio que custou caro: JHC vê o tabuleiro político se fechar em Alagoas

O ex-prefeito de Maceió, JHC, deu início à sua pré-candidatura após deixar a Prefeitura da capital alagoana e, durante algum tempo, silenciou sobre qual caminho tomaria para as eleições de 4 de outubro de 2026. Esse silêncio acabou gerando apreensão entre eleitores que, diante da indefinição, passaram a desconfiar.

Mas desconfiar de quê? Da possibilidade de JHC optar por uma candidatura diferente daquela que muitos imaginavam. Na Grande Maceió, e impulsionado por sua forte presença nas redes sociais, o político começou a corrida com força e aceleração expressivas, acumulando pontos nas pesquisas de intenção de voto. Contudo, o tempo e o silêncio passaram a corroer parte desse capital político.

Alguns sinais de desgaste começaram a surgir, enquanto os dois campos da política alagoana — governo e oposição —, leia-se respectivamente Calheiros, Dantas e Victor, de um lado, e Lira e Gaspar, do outro, passaram a movimentar suas peças no tabuleiro político. O grupo governista definiu sua chapa ao Senado com Renan Calheiros e Dr. Wanderley, enquanto a oposição consolidou os nomes de Arthur Lira e Alfredo Gaspar. Essas definições enfraqueceram a viabilidade de uma candidatura de JHC ao Senado caso optasse por alianças já estruturadas.

Com essas definições, veio outro movimento importante: deputados do MDB fecharam questão em torno das candidaturas de Renan Calheiros e Arthur Lira ao Senado. Esse alinhamento reduziu o espaço político para o ex-prefeito nas bases eleitorais vinculadas a cada deputado estadual, consolidando redutos já existentes.

Por fim, o anúncio da aliança entre Renan Filho e os Pereira representou um novo revés para JHC. Se, no interior do estado, Renan Filho já apresentava vantagem em razão de sua atuação administrativa, a combinação do MDB fechado com Calheiros e Lira, somada ao apoio dos Pereira, elevou ainda mais o desafio. Para romper essa barreira política, JHC precisará se reinventar — tarefa que dificilmente depende apenas de marketing.

O eleitor é indomável quando acredita enxergar aquilo que considera melhor e mais seguro para si.

Creditos: Professor Raul Rodrigues