Mulher resgatada após viver 15 anos em cárcere no AP
10/06/2026, 08:05:03
O resgate de Maída Vaz Fialho
Maída Vaz Fialho, de 31 anos, foi resgatada de uma comunidade ribeirinha de Macapá, no Amapá, junto com seus dois filhos, após médicos identificarem sinais de agressão e denunciarem o caso. O resgate ocorreu na quinta-feira (4) e resultou na morte do suspeito, Vailson Pinheiro de Carvalho, de 34 anos, em confronto com a polícia.
A história de sofrimento e violência
Maída relatou que conheceu o agressor quando tinha apenas 14 anos. Eles viviam em comunidades ribeirinhas próximas e, no início do relacionamento, Vailson não demonstrava comportamento agressivo. Contudo, com o passar do tempo, as agressões tornaram-se frequentes. “As cicatrizes são recentes e outras já são antigas. Ele pegava o terçado e me cortava. Mas não era sempre. Ele também me batia com a mão”, afirmou.
As agressões eram motivadas por situações cotidianas, como a aprovação da comida que ela preparava ou o consumo de bebidas alcoólicas por Vailson. Maída não procurou ajuda por medo das ameaças constantes. Vailson dizia que, caso ela denunciava, a vida de sua mãe, dos filhos e a dela estariam em risco.
A busca por atendimento médico e a denúncia
Em um dos episódios de agressão, Maída buscou atendimento médico em uma comunidade próxima, onde os profissionais perceberam os sinais evidentes de violência. “Os médicos perceberam que tinha isso. Eles me atenderam e me levaram para costurar os cortes. Aí o médico tirou as fotos e denunciou”, relatou a vítima.
Na época, Maída e Vailson tinham quatro filhos, mas apenas dois viviam com eles: uma adolescente de 15 anos e um menino de 4. Para sair de casa, mesmo que para realizar compras simples, Maída precisava estar acompanhada do marido. Ela não podia manter contato com ninguém fora de casa e não tinha acesso à internet. “Eu não tinha celular. Toda vez que eu comprava um, ele quebrava. Aí ele me batia, cortava meu cabelo e não queria que eu falasse com ninguém”, contou.
Um novo começo após a libertação
Após o resgate, Maída recebeu atendimento de órgãos de proteção à mulher no Amapá. Depois dos primeiros cuidados, ela voltou a morar com a família em Melgaço, no Pará, ao lado dos filhos. Hoje, ela tenta reconstruir a vida após anos de violência e isolamento. Ao falar sobre o momento atual, descreveu a sensação de liberdade que voltou a ter: “Eu tô me sentindo livre. Tô me sentindo como se fosse um passarinho livre. Posso sair pra onde quiser. Posso fazer o que eu quiser, posso trabalhar em paz. Posso dormir a hora que eu quiser também. Posso fazer tudo aquilo que eu queria fazer”.
A ação policial
O resgate foi realizado através de uma ação policial conjunta que mobilizou equipes do Grupo Tático Aéreo (GTA) e da Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Amapá (Sejusp).
