PT busca aproximação com evangélicos em nova carta
09/06/2026, 05:47:04
O Partido dos Trabalhadores (PT) divulgou na noite desta segunda-feira uma carta voltada ao eleitorado evangélico em uma tentativa de aproximação com o segmento. O texto, que não toca em pautas controversas como o aborto, foi redigido após o IV Encontro Nacional do Núcleo Evangélico da sigla e cita temas caros ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como programas sociais e a defesa da soberania nacional. O evento contou com a presença do presidente nacional do partido, Edinho Silva, a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (Rede).
Na carta, o PT evitou tocar em temas associados à pauta de costumes. Como parte da estratégia de se aproximar do segmento evangélico, a carta do PT afirma que o presidente Lula sancionou leis que "garantem o direito de livre culto e a criação de igrejas". Também são citados decretos que reconhecem a música gospel como cultura e patrimônio nacional, além da criação do Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa e o Dia Nacional da Marcha para Jesus.
"Os governos do PT nunca se opuseram às igrejas, sempre tiveram uma postura de respeito e de reconhecimento da importância e do papel da Igreja Evangélica", diz o texto. Na carta, a sigla diz também estimular "a presença ativa das evangélicas e dos evangélicos nos debates públicos, na formulação de propostas e na construção dos caminhos que definirão o futuro do país".
Ao GLOBO, o ex-ministro Gilberto Carvalho, que integra a coordenação da pré-campanha de Lula, já havia adiantado que o aborto, assim como outros temas da pauta de costumes, não seria abordado na carta.
— O tom é a demonstração de uma coincidência que há entre os objetivos, os princípios do projeto do governo Lula com os princípios evangélicos, que é cuidar dos pobres, que é combater a injustiça, que é a misericórdia. Os temas morais não foram abordados, como essa questão do aborto — disse Carvalho, que acrescentou — Até porque não há nenhuma posição do governo Lula favorável ao aborto. Nem consta em nosso progama de governo. A nossa política em relação a aborto é a política de respeitar o que já está na legislação. Isso já é histórico.
Na carta, o núcleo evangélico do PT diz defender a "ampliação e aprofundamento" de políticas públicas como o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida, além de outros programas sociais. O texto afirma ainda que a "defesa da democracia, da justiça social, da reforma agrária, o enfrentamento à fome, a valorização do trabalho, a proteção dos mais vulneráveis fazem parte da mensagem de Jesus". Também consta no documento a defesa do fim da escala 6x1.
A carta volta-se também para a pauta da segurança pública e diz defender políticas capazes de enfrentar o crime organizado e proteger famílias. É dado destaque ao combate à violência contra a mulher, que é tratado como tema a ser abordado no plano de governo do candidato petista. A carta defende a "ampliação das políticas públicas voltadas a saúde integral da mulher, enfrentamento à violência e que tenha como foco em seu cuidado e acolhimento em relação à sua saúde física e mental".
O documento também faz menção à defesa da soberania nacional, tema que tem sido uma das apostas do governo Lula para se contrapor ao senador Flávio Bolsonaro e ao governo do presidente americano Donald Trump. "A soberania fortalece a capacidade do povo brasileiro de decidir seu próprio destino, proteger seus recursos estratégicos e construir um projeto de desenvolvimento comprometido com a justiça social e o bem comum", diz a carta.
