As candidaturas ideológicas e suas ilusões

Enquanto um exibe a poeira do caminho percorrido, o outro carrega uma comitiva onde nem todos parecem marchar apenas por convicção. Afinal, campanha “no braço” não significa a mesma coisa para todos.

As candidaturas ideológicas e suas ilusões

Duas Solas, Dois Caminhos.

Vistas como candidaturas construídas “no braço e na sola do sapato”, as campanhas de Alfredo Gaspar e Paulão, embora disputem o mesmo terreno eleitoral por cargos equidistantes, estão longe de serem iguais quando o assunto é caminhar apenas com a força das próprias pernas.

Paulão vem da escola política do PT, do MST, do discurso proletário e do apoio histórico dos trabalhadores. Até onde se sabe, não ostenta em seu entorno cabos eleitorais — vereadores ou suplentes — cujas campanhas exalem o inconfundível perfume do dinheiro fácil. Seu estilo é o do pé no chão: entrega aparelhos, máquinas e veículos para a saúde, beneficia o homem do campo por meio de emendas parlamentares, fortalece a Agricultura Familiar e ajuda instituições como a Santa Casa de Penedo.

Nesse contexto, não se registra ao seu redor nenhum apoiador com mandato de vereador ou mesmo suplente que faça da política um balcão de negócios. Há, sim, o apoio do prefeito Ronaldo Lopes e de Guilherme Lopes, pré-candidato a deputado estadual, mas sem sinais de uma tropa de cabos eleitorais movida a contracheques disfarçados.

Já Alfredo Gaspar pode reivindicar uma campanha “no braço” quando se apoia na militância bolsonarista — esse fenômeno político que, para muitos, se transformou numa espécie de embarcação dos desesperados, navegando entre promessas grandiosas e resultados nem sempre proporcionais ao entusiasmo dos passageiros. O curioso é que a mesma embarcação abriga um político que já transitou por diferentes legendas, foi o famoso Xerife da Segurança Pública de Alagoas e promotor de Justiça de reputação linha-dura no combate à corrupção.

Entretanto, como acontece com muitos mitos políticos, a armadura do herói sofre desgaste quando confrontada com a realidade. E é justamente entre seus apoiadores que surge a diferença mais visível. Ali existem, sim, cabos eleitorais de todas as espécies: os voluntários do 0800, os entusiasmados por convicção e aqueles que exercem a difícil arte de fingir que não recebem nada enquanto demonstram uma dedicação quase profissional.

Eis a diferença. Enquanto um vende a imagem da caminhada coletiva dos que acreditam na causa, o outro carrega consigo um exército onde nem todos parecem marchar apenas por idealismo. Por isso, enxergar as duas candidaturas como igualmente construídas “no braço e na sola do sapato” exige uma dose de imaginação maior do que a normalmente recomendada pela prudência.

Pelo menos essa é a nossa visão.

Creditos: Professor Raul Rodrigues