Bianca Andrade esclarece sobre silicone e amamentação
04/06/2026, 12:02:04
O desabafo recente de Bianca Andrade sobre as dificuldades que enfrentou para amamentar o filho reacendeu uma dúvida que atravessa consultórios e conversas entre mulheres: afinal, quem tem prótese mamária pode ter mais dificuldade para amamentar? Ao associar sua experiência ao implante de silicone, a influenciadora trouxe novamente à tona um tema que mistura maternidade, estética e expectativas em torno do pós-parto.
Apesar de ser uma preocupação comum, especialistas reforçam que não existe uma resposta única. Ter silicone não determina, por si só, a capacidade de amamentar. O que pode influenciar esse processo são variáveis ligadas ao tipo de cirurgia, à preservação das estruturas mamárias e às condições individuais de cada paciente.
De acordo com o cirurgião plástico Marco Cassol, a maioria das mulheres com prótese consegue amamentar sem grandes obstáculos. "O implante mamário, por si só, não impede a amamentação. O que pode interferir é a técnica cirúrgica utilizada, principalmente quando há manipulação próxima da aréola ou comprometimento de estruturas glandulares e nervosas importantes para o processo de lactação", explica.
A amamentação depende de uma engrenagem delicada que envolve glândulas, ductos, estímulo hormonal e sensibilidade da região mamária. Quando algum desses elementos é afetado durante a cirurgia, pode haver impacto na produção ou na ejeção do leite, embora isso não seja uma regra.
O cirurgião plástico Jorge Seba destaca que detalhes como o local da incisão e a técnica utilizada fazem diferença no resultado. "Cirurgias realizadas por acesso periareolar podem apresentar maior risco de interferência nos ductos ou na sensibilidade local, dependendo da abordagem. Já quando o implante é colocado preservando estruturas mamárias, o impacto tende a ser menor. O planejamento cirúrgico é determinante", afirma.
Entre as dúvidas mais frequentes está a segurança do bebê. Ainda circula a preocupação de que o silicone possa interferir na qualidade do leite materno, mas os especialistas são categóricos ao descartar esse risco. "O silicone não contamina o leite materno nem representa risco conhecido ao bebê. O ponto central não é toxicidade, e sim a possibilidade de algumas mulheres apresentarem menor produção láctea dependendo do histórico cirúrgico e de fatores individuais", diz o cirurgião plástico Luis Fernando.
Na prática, porém, a dificuldade para amamentar raramente está ligada a um único fator. O processo envolve uma combinação complexa de aspectos físicos e emocionais, que incluem desde alterações hormonais até questões como pega incorreta, dor, estresse, privação de sono e baixa produção de leite.
Para a pediatra Renata Castro, é importante ampliar o olhar sobre o tema para além da dimensão técnica. Ela lembra que a amamentação tem papel central na saúde infantil, mas que o cuidado com a mãe também precisa ser prioridade. "O leite materno oferece proteção imunológica e nutrientes essenciais, especialmente nos primeiros meses de vida. Mas a maternidade não pode ser atravessada pela culpa. Quando a amamentação não acontece como esperado, é fundamental oferecer suporte e orientação", destaca.
A recomendação da Organização Mundial da Saúde é de aleitamento materno exclusivo até os seis meses, com continuidade, junto à alimentação complementar, até pelo menos dois anos. Ainda assim, especialistas reforçam que essa meta nem sempre é alcançada da mesma forma por todas as mulheres.
"Nem toda mulher consegue amamentar como planejou, e isso não define vínculo ou capacidade de cuidado. O mais importante é garantir acompanhamento adequado e o desenvolvimento saudável do bebê", completa a pediatra.
Para quem já possui prótese ou planeja colocá-la e pretende engravidar no futuro, médicos recomendam que a decisão seja acompanhada de orientação especializada, com atenção à técnica cirúrgica e à preservação das estruturas mamárias. Mais do que uma relação direta de causa e efeito, o consenso entre os especialistas é de que o silicone pode ser um entre vários fatores envolvidos na amamentação, mas não um impeditivo absoluto, nem um risco para o bebê.
