Conflitos marcam greve geral em Portugal com polícia
03/06/2026, 17:40:05
Conflitos em Lisboa
A greve geral em Portugal culminou em violência, com confrontos entre a polícia e manifestantes em frente ao Parlamento, em Lisboa. A polícia usou cacetetes para dispersar o protesto, que resultou em detenções e tumulto. A greve, que é a segunda em seis meses, protesta contra a reforma trabalhista que afeta especialmente imigrantes brasileiros. A proposta de reforma, sem consenso, avança no Parlamento.
Violência e Detenções
O dia de greve geral em Portugal terminou com violência. A Polícia de Segurança Pública (PSP) entrou em confronto com manifestantes em frente ao Parlamento, em Lisboa. Para dispersar a manifestação que começou no fim da tarde, quando a greve já estava encerrada, a polícia usou cacetetes em confronto direto com os protestantes, muitos deles sendo jogados no chão e imobilizados.
Manifestantes Reagem
Os manifestantes arremessaram garrafas, queimaram lixeiras e alguns deles foram detidos pela PSP, que removeu à força o protesto de frente do Parlamento. A greve de hoje foi a segunda em seis meses contra a reforma do Código do Trabalho e teve a maior parte da adesão na administração pública. Foram cancelados 11 voos entre Brasil e Portugal.
Reforma Trabalhista em Debate
O governo de centro-direita da Aliança Democrática (AD) aprovou em maio no conselho de ministros a proposta de reforma do Código do Trabalho de Portugal. O texto segue para votação no Parlamento. Brasileiros são a maior força de trabalho estrangeira, os recordistas de contribuições e formam o grupo imigrante que será mais afetado pela reforma trabalhista. Há cerca de 700 mil brasileiros no país.
Propostas Contestadas
Algumas das propostas mais contestadas incluem:
- Possibilidade de recusa à reintegração após demissão irregular aplicável em todas as empresas
- Extensão de dois para três anos dos contratos temporários
- Fim das principais restrições ao trabalho terceirizado, liberando contratação sem vínculo e sem prazo após demissão
O pacote será encaminhado ao Parlamento sem consenso. A AD do primeiro-ministro Luís Montenegro negocia para ter apoio e já conversou com a ultradireita do partido Chega. O Partido Socialista (PS), de centro-esquerda, também foi ouvido e seu secretário-geral, José Luís Carneiro, disse que é difícil um acordo se o governo insistir na "desumanidade".
Expectativas Futuras
A reforma ficou de fora do programa eleitoral de Luís Montenegro. Foi uma surpresa quando propôs alterar o Código do Trabalho, medida que não arrebatou apoio após nove meses de reuniões com centrais sindicais. O presidente António José Seguro (PS) disse esperar unidade na aprovação. Ele tem o poder de vetar e afirmou, em campanha, que faria isso se faltasse consenso parlamentar e social.
