Boutique suíça de investimentos foca em expansão no Brasil
29/05/2026, 15:44:07
EFG International e o Mercado Brasileiro
Clientes latino-americanos representam mais de 12% dos US$ 239 bilhões em ativos que a EFG International administra globalmente; o Brasil é 'o principal mercado' da região.
A EFG International, boutique suíça de private banking, está ampliando sua equipe focando no Brasil e no sul da Flórida, regiões de rápido crescimento. Latino-americanos representam mais de 12% dos US$ 239 bilhões em ativos da empresa, com o Brasil como principal mercado, somando cerca de 20% dos US$ 30 bilhões nas Américas. A EFG busca diversificar investimentos de brasileiros, tradicionalmente concentrados localmente.
A EFG International, boutique de private banking sediada em Zurique, na Suíça, está ampliando sua equipe de 300 pessoas dedicada a clientes das Américas, com foco especial no Brasil e no sul da Flórida. O patrimônio sob gestão proveniente das Américas cresceu mais rapidamente do que em qualquer outra região da EFG no ano passado, adicionando US$ 4 bilhões, segundo Sanjin Mohorovic, diretor-presidente da corretora EFG Capital em Miami e responsável pelas operações da empresa nas Américas.
Clientes latino-americanos representam mais de 12% dos US$ 239 bilhões em ativos que a empresa administra globalmente, e o Brasil é "o principal mercado" da região, representando cerca de 20% dos US$ 30 bilhões administrados pela EFG nas Américas, afirmou Mohorovic. "Temos visto nos últimos anos um fluxo de riqueza indo do sul para o norte nas Américas, particularmente para os Estados Unidos", disse ele, acrescentando que há "muita riqueza latino-americana no sul da Flórida que acreditamos poder captar".
A EFG não oferece serviços locais de private banking ou gestão de patrimônio na América Latina, mas possui centros de registro e operação em cidades como Miami, Londres, Zurique e Genebra, que funcionam como polos para indivíduos ricos da região. "Empreendedores americanos também estão diversificando fora dos Estados Unidos — investindo na Ásia, em Londres e na Europa — e nós também oferecemos a eles a possibilidade de fazer isso", afirmou. "Eles estão comprando casas no sul da França, nos Alpes suíços, e nós os ajudamos com empréstimos hipotecários para financiar essas aquisições".
Com operações em 14 países, a EFG contratou cinco pessoas nos últimos 12 meses para seus dois escritórios locais no Brasil, um em São Paulo e outro no Rio de Janeiro. Marcelo Cavalcanti, diretor executivo responsável pelo EFG Bank no Brasil, lidera essas operações. Mohorovic afirmou que o plano é continuar contratando. Neste ano, o banco também recrutou uma equipe em Miami e um banqueiro na Suíça para atender o Brasil, acrescentou.
Diferentemente do que é típico entre indivíduos ricos em outras partes da América Latina, os brasileiros têm a maior parte de sua riqueza investida nos mercados locais. Isso significa que há uma oportunidade muito maior de diversificar seus investimentos, afirmou Luis Ferreira, diretor de investimentos do EFG para as Américas. O total de ativos sob gestão no setor local de private banking do Brasil era de R$ 2,74 trilhões em março, segundo a Anbima, associação do mercado de capitais. Isso representou um aumento de 4% em relação a dezembro.
Pedro Carregosa, que supervisionou o Brasil para o EFG nos últimos anos, foi promovido em março para se tornar chefe de private banking para as Américas, com sede em Genebra, enquanto Eduardo Cruz agora lidera o crescimento dos negócios do Brasil a partir de Miami.
Além de São Paulo e Rio de Janeiro, a EFG também possui operações em Lima, Bogotá e Punta del Este, no Uruguai. O grupo tem um escritório de assessoria no Panamá com mais de 20 pessoas, um banco nas Ilhas Cayman e outro nas Bahamas. Também possui uma corretora e uma empresa registrada de consultoria de investimentos em Miami.
"Também estamos expandindo nossa presença no Panamá, que está se tornando um hub, e no sul da Flórida", contou Mohorovic. A EFG oferece serviços de consultoria de investimentos, crédito e hipotecas, planejamento patrimonial, proteção de ativos e operações de trading para indivíduos sofisticados e family offices. Segundo Mohorovic, o grupo tem como meta contratar de 50 a 70 gerentes de relacionamento com clientes todos os anos, e a região das Américas seria responsável por até 15% dessas contratações. A meta de crescimento para novos ativos líquidos está entre 4% e 6% dos ativos sob gestão.
"O que vemos na América Latina e, claro, no Brasil é um lugar onde não há guerra, há muitos recursos naturais e um sistema bancário e financeiro bastante sofisticado. E está crescendo muito em termos de empreendedores e famílias, que estão se tornando investidores internacionais", acrescentou Mohorovic.
