Campanhas enlatadas por pesquisas e sentidos do Marketing tira espontaneidade do eleitor

Entre pesquisas, marketing e interesses pessoais, a política perde sua essência popular e transforma personagens fabricados em falsas lideranças perante o eleitorado.

Campanhas enlatadas por pesquisas e sentidos do Marketing tira espontaneidade do eleitor

As campanhas eleitorais, atualmente dominadas pelo enlatado das pesquisas e pelo direcionamento dos marqueteiros, retiram a espontaneidade dos eleitores e criam monstros encobertos por peles de cordeiro. Políticos produzidos não representam a política de verdade. Tudo é virtual.

Desde sempre, as lideranças eram formadas pelas lutas de classe, pela defesa de uma causa, pela identidade do cidadão com o povo que o conhecia, pela sua história de vida e pelo conhecimento necessário para levar o bem coletivo à população.

Hoje, não mais.

Qualquer pessoa que tenha dinheiro e um pouco de expertise pode chegar a um cargo político. Basta aproximar-se de uma comunidade, criar um canal de intimidade, começar a oferecer ajudas — cestas básicas, auxílio para aquisição de medicamentos, pagamento de contas de luz ou água, participação em festas de aniversário — e já passa a ser vista como liderança política.

No fundo, porém, um monstro vestido em pele de cordeiro mostra suas garras quando é contrariado em seus desejos reprimidos, naquilo que realmente quer. Essas pessoas tiram a capa, esbravejam, falam e gritam de púlpitos ou tribunas, acusam os outros de mentirosos e falsos, enquanto o seu “milho da galinha de Stalin” não chega.

Mas, tão logo ele chegue, reaparecem nos mesmos lugares elogiando e distribuindo palavras dóceis para aqueles que, uma semana antes, quinze dias antes ou até menos tempo, criticavam e atacavam em seu caráter e dignidade por não lhes terem dado o que desejavam — muitas vezes, inclusive, por caminhos errados.

Creditos: Professor Raul Rodrigues