Deolane e a Lavagem de Dinheiro: Suspeitas e Luxo Exibido
24/05/2026, 12:11:02
Deolane e a Lavagem de Dinheiro para o PCC
A influenciadora Deolane Bezerra foi presa por suspeita de lavagem de dinheiro para o PCC, tendo R$ 27 milhões bloqueados pela Justiça. A polícia alega que seu estilo de vida luxuoso, exibido nas redes sociais, servia para dissimular a origem de recursos ilícitos. A operação revelou uma sofisticada rede de lavagem ligada ao líder do PCC, Marcola. A defesa de Deolane nega as acusações e afirma a inocência da cliente.
Viagens à Grécia. Aeronaves. Carros de milhões. Bolsa com couro de avestruz. Doação para o Instituto Neymar Júnior. A vida de luxo ostentada nas redes sociais pela influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra seria uma forma de dissimular a origem do dinheiro que circulava pelas contas da influenciadora, segundo relatório da Polícia Civil de São Paulo.
Segundo relatório da Polícia Civil, a ostentação de gastos vultosos nas redes sociais servia para criar uma imagem de sucesso profissional e influência digital. Isso ajudaria a justificar a movimentação de milhões de reais e conferir uma aparência de licitude a recursos que, na verdade, não possuem origem comprovada.
“O conjunto das informações analisadas permite concluir que houve uma evolução atípica no fluxo financeiro da investigada Deolane e de suas empresas, sem lastro contábil ou operacional proporcional, indicando a possível existência de um modus operandi voltado à ocultação, integração e dissimulação de patrimônio. Nesse contexto, torna-se inegável que Deolane, pessoa pública e de destaque nas redes sociais, reverbera a imagem de profissional de sucesso e evidente ostentação financeira o que, em tese, justificaria a movimentação de vultosos valores, criando um fértil cenário para a dissimulação da real origem dos recursos movimentados em seu nome”.
Deolane foi presa na quinta-feira (21) por suspeita de lavar dinheiro para o PCC durante a deflagração da operação Vérnix. Segundo a Polícia Civil de São Paulo e o Ministério Público de São Paulo, a projeção pública e a estrutura empresarial de Deolane funcionariam como “camadas de aparente legalidade” para ocultar recursos ilícitos. Segundo o inquérito, entre 2018 e 2021, Deolane recebeu R$ 1.067.505 em depósitos fracionados abaixo de R$ 10 mil — prática conhecida como “smurfing”, usada para dificultar o rastreamento financeiro. Além disso, cerca de 50 depósitos em empresas ligadas à influenciadora somaram aproximadamente R$ 716 mil. Os investigadores afirmam não ter encontrado contratos ou prestação de serviços advocatícios que justificassem os valores.
A advogada e influenciadora digital teve R$ 27 milhões bloqueados por determinação da Justiça. A defesa de Deolane afirmou em nota que considera “desproporcionais” as medidas adotadas pela Justiça. Advogados disseram reiterar “a mais absoluta inocência” da sua cliente, presa preventivamente, e afirmaram que os fatos serão esclarecidos “em momento oportuno”. Os defensores também pontuaram que seguirão “cooperando tecnicamente com a Justiça” para demonstrar a licitude das atividades exercidas pela influenciadora “na condição de advogada”, e pontuaram que confiam “no discernimento, na razoabilidade e na imparcialidade do Poder Judiciário”.
A prisão da influenciadora expôs, segundo o Ministério Público de São Paulo e a Polícia Civil, uma sofisticada engrenagem de lavagem de dinheiro ligada ao núcleo familiar de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder do PCC. A operação revelou como uma transportadora do interior paulista teria sido usada para movimentar recursos do tráfico e inseri-los no sistema financeiro formal por meio de empresas, depósitos fracionados e contas de terceiros. A Justiça expediu seis mandados de prisão preventiva: contra Deolane; Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola; o irmão dele, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior; os sobrinhos Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho; além de Everton de Souza, apontado como operador financeiro do grupo. Marcola e Alejandro já estão presos em penitenciárias federais. Deolane e Everton foram detidos ontem, enquanto Paloma e Leonardo são considerados foragidos. Segundo as investigações, ela está na Espanha e ele, na Bolívia. Ambos tiveram os nomes incluídos na Lista de Difusão Vermelha da Interpol.
As investigações começaram em 2019, após a apreensão de bilhetes manuscritos na Penitenciária II de Presidente Venceslau, no interior paulista. O material continha ordens internas da facção, referências a movimentações financeiras e menções a ataques contra servidores públicos. A partir daí, os investigadores chegaram à empresa Lopes Lemos Transportes, conhecida como Lado a Lado Transportes. Segundo o Ministério Público, a transportadora funcionava como braço financeiro da cúpula do PCC. Em três anos, movimentou mais de R$ 20 milhões e apresentou incompatibilidade de R$ 6,9 milhões entre receitas declaratadas e movimentações bancárias, indício considerado típico de lavagem de dinheiro.
