Brasil se destaca em lançamentos da aviação executiva

Brasil se destaca em lançamentos da aviação executiva

Brasil se consolida como destino de lançamentos na aviação executiva

O Brasil se destaca como destino preferido para lançamentos da aviação executiva, recebendo a primeira unidade do helicóptero de luxo ACH145 Mercedes-Benz Edition e o jato Falcon 6X da Dassault. Com custo de R$ 78 milhões, o helicóptero oferece sofisticado interior e tecnologia avançada. A Helibras, em Minas Gerais, lidera o mercado com planos de nacionalização. O Falcon 6X, com autonomia superior, atende à demanda por voos intercontinentais, refletindo o perfil exclusivo dos compradores brasileiros.

Inovações e Sofisticação na Aviação Brasileira

A primeira unidade do helicóptero mais exclusivo do mundo não foi entregue em Mônaco, Dubai ou Los Angeles, mas sim em solo brasileiro. Trata-se do ACH145 Mercedes-Benz Edition, vendido pela Airbus por mais de R$ 78 milhões. Paralelamente, desponta o Falcon 6X, o mais novo jato da francesa Dassault, avaliado em cerca de R$ 300 milhões. Juntas, essas máquinas, em exibição em evento do setor em São Paulo, revelam como o Brasil consolidou-se como o destino preferencial das maiores empresas do setor.

Com o interior customizável e inspirado no visual robusto e sofisticado do utilitário esportivo alemão Classe G, o helicóptero fabricado pela Airbus e finalizado em Itajubá, Minas Gerais, apresenta um avanço significativo em termos de engenharia e conforto no segmento de asas rotativas. Fruto de uma parceria de mais de cinco anos entre a Airbus e a Mercedes, a aeronave traz um formato de cabine reformulado e um sistema inédito de insonorização acústica.

Um novo padrão de conforto e eficiência

Em um voo de teste, foi perceptível a diferença no ambiente depois que as portas são fechadas. A cabine é tão silenciosa, que foi possível que sete passageiros conversassem de forma totalmente natural, sem a necessidade de utilizar os tradicionais fones de ouvido durante os deslocamentos.

Embora o requinte dos assentos em couro com costuras contrastantes atraia o olhar dos entusiastas do luxo, a aquisição de um equipamento desse porte obedece a uma lógica extremamente pragmática no universo corporativo. Amaury Bastos, o recém-empossado presidente da Helibras, ressalta ao GLOBO que, para além da sofisticação, a aeronave se propõe como uma ferramenta indispensável para a produtividade e a otimização das agendas de grandes líderes empresariais.

Hoje, o empresário, mais do que o luxo, quer ganhar tempo. Então, o helicóptero transforma tempo e se torna, com certeza, um verdadeiro instrumento de trabalho. Isso é essencial, principalmente se tratando de São Paulo, onde enfrentamos grandes congestionamentos cotidianos. Para o nosso cliente que precisa gerenciar negócios complexos, o tempo é um ativo primordial — analisa Bastos.

O papel da Helibras no mercado

A liderança do mercado brasileiro nesse ecossistema é sustentada por uma sólida base industrial, composta pela única fábrica de helicópteros do Hemisfério Sul. Em números, a Helibras, que faz parte do grupo Airbus, controla atualmente 80% dos mercados de segurança pública e militar, além de deter 40% de participação no concorrido mercado civil.

As unidades importadas da Europa passam por um processo final de remontagem de motores, sistemas de pouso e pás na fábrica em Itajubá, mas os planos, segundo revelou o presidente da empresa, incluem nacionalizar integralmente a fabricação do H145. Isso compromete positivamente a nossa economia, gera emprego de alta qualificação e desenvolve tecnologia de ponta, trazendo inovações fundamentais para o país.

O Futuro da Aviação Executiva

A meta da Helibras é replicar no H145 o índice de nacionalização de cerca de 50% já obtido em projetos consolidados no Brasil. Hoje, a companhia mobiliza uma cadeia logística que envolve aproximadamente dois mil fornecedores locais, que trabalham para absorver uma demanda estimada em cerca de cem novas unidades desse modelo nos próximos anos.

Enquanto os helicópteros dominam o tráfego urbano e cumprem o papel essencial de conectar a chamada “última milha”, os jatos executivos intercontinentais cobrem longas distâncias. O Falcon 6X, jato da Dassault que está em fase final de certificação, surge nesse cenário como uma resposta direta à evolução das necessidades de locomoção global dos ultra-ricos.

O projeto original, que nasceu sob o codinome de 5X, precisou ser inteiramente reformulado devido a atrasos na certificação dos motores planejados inicialmente. A Dassault aproveitou a oportunidade para ampliar a fuselagem, aumentar o tamanho das janelas para garantir maior luminosidade e instalar motores mais eficientes que estenderam consideravelmente o alcance da aeronave.

Atendimento às novas demandas do mercado

Se na metade dos anos 2000 o ritmo era de duas a três aeronaves novas da marca entregues por ano, o país chegou a registrar o pico de 15 jatos novos comercializados anualmente entre 2006 e 2008, de acordo com Rodrigo Pessoa, vice-presidente de vendas da Dassault para a América Latina. O executivo afirma ainda que o setor já encontrou estabilidade no Brasil e que está em adaptação aos novos perfis de destinos que exigem equipamentos com autonomia cada vez maior.

O Falcon 6X é criado nesse contexto, como o modelo voltado para quem precisa cruzar o Atlântico com regularidade. Com autonomia superior a 10.000 quilômetros, ele conecta São Paulo a qualquer ponto dos Estados Unidos ou à maior parte da Europa sem escalas — exatamente o alcance que, segundo Pessoa, o comprador brasileiro exige.

A cabine do jato é a mais alta e larga da aviação executiva, com a proposta de entregar espaço, conectividade e silêncio — com níveis sonoros abaixo de 50 decibéis — para quem passa horas dentro do avião a trabalho.

E diferentemente do que ocorre nos Estados Unidos, onde o modelo de compartilhamento de cotas se popularizou pela praticidade e otimização de custos, o comprador brasileiro de alto padrão responde a outro conjunto de valores. O cliente brasileiro, o latino de maneira geral, não gosta da ideia de compartilhamento. Nessa categoria, eles fazem questão de ter um avião só para eles, com seus próprios pilotos e controle absoluto sobre toda a agenda. É um traço cultural e um dado de mercado que a Dassault leva em conta em cada negociação na região.