117 presos não retornam ao sistema prisional do Rio
22/05/2026, 10:14:02
Contexto da saída temporária
Um total de 117 presos beneficiados pela saída temporária do Dia das Mães não retornou ao sistema prisional do Rio de Janeiro após o fim do prazo estabelecido pela Justiça, segundo informou a Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen). A Visita Periódica à Família (VPF) começou em 8 de maio e foi encerrada no dia 14. Ao todo, 1.560 detentos receberam autorização para deixar temporariamente as unidades prisionais, mas parte deles descumpriu a determinação judicial de retorno.
Identificação dos foragidos
Dois deles são considerados de alta periculosidade: Raylander Machado dos Santos, o "Raylander do Andaraí", apontado como chefe de uma quadrilha especializada em roubos violentos na Zona Norte, e Emanuel dos Santos Carvalho, o "Mata Rindo", acusado de homicídios e de atuar no tráfico do Complexo do Lins. O Disque Denúncia divulgou, na quarta-feira, um cartaz com informações sobre os dois homens.
Ações da Seppen
De acordo com a Seppen, a Divisão de Busca e Recaptura (Recap) segue realizando diligências para localizar e recapturar os evadidos. A secretaria destacou que a saída temporária é um benefício previsto em lei e concedido pelo Poder Judiciário aos presos que atendem aos requisitos legais.
Status dos foragidos
O prazo para reapresentação terminou em 14 de maio. Nenhum dos dois voltou ao sistema prisional e ambos passaram à condição de foragidos. No caso de Emanuel, a própria direção do Instituto Penal Benjamin de Moraes Filho comunicou oficialmente à Vara de Execuções Penais, no dia 15 de maio, que ele "não retornou do VPF", sigla usada para Visita Periódica ao Lar.
Detalhes sobre Raylander e Mata Rindo
De acordo com as investigações, Raylander foi preso por comandar uma quadrilha especializada em roubos de veículos, estabelecimentos comerciais e pedestres na Tijuca, em Vila Isabel e no entorno do Morro do Andaraí, na Zona Norte do Rio. O grupo ficou conhecido pela prática de assaltos violentos sob ameaça de morte e pela atuação na modalidade conhecida como "saidinha de banco", quando criminosos monitoram clientes que acabaram de sacar grandes quantias em dinheiro para abordá-los fora das agências.
Já Emanuel dos Santos Carvalho, o Mata Rindo, foi preso por envolvimento em homicídios e roubos no Complexo do Lins. Segundo o Disque Denúncia, ele recebeu esse apelido por ser apontado pela polícia como um executor de integrantes de facções rivais e por atuar na linha de frente de confrontos contra policiais militares.
Registro e comportamento
Documentos do sistema penitenciário obtidos pelo GLOBO o identificam ainda como "líder do tráfico na Comunidade do Amor, no Lins". A ficha prisional registra passagens pelo sistema desde 2015 e mostra que ele voltou a ser preso em janeiro de 2019, ano em que foi capturado durante uma operação da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) no Morro do Amor, uma das comunidades que integram o Complexo do Lins. Os registros também apontam que Mata Rindo acumulou uma falta disciplinar grave em 2020, pela qual recebeu punição de 30 dias de isolamento e rebaixamento de classificação disciplinar por 180 dias. Apesar disso, seu comportamento foi posteriormente reclassificado como "excepcional" pelo sistema penitenciário em novembro de 2023.
Encaminhamentos
O Disque Denúncia pede que informações sobre o paradeiro dos foragidos sejam repassadas pelos canais oficiais da instituição, com garantia de anonimato.
