Violão que Pelé amou antes da Copa vai a leilão

Violão que Pelé amou antes da Copa vai a leilão

Violão que Pelé adorou antes da Copa vai a leilão

O violão Del Vecchio usado pelo Rei do Futebol na concentração da seleção antes do Mundial da Inglaterra estará em leilão com lance inicial de R$ 20 mil.

Pelé se apaixonou por um violão Del Vecchio Timbre Vox dos anos 1950 durante a concentração da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo de 1966. O instrumento pertencia a um jornalista que foi cobrir a concentração e o levou emprestado de sua avó, Angelica Teixeira Soares, uma jovem da elite paraense e dedicada estudante de música. Pelé quis ficar com o violão, mas o jornalista não deixou. Então, o Rei do Futebol resolveu assinar o instrumento, riscando o tampo com chave.

Djalma Santos toca para Jairzinho, que toca para Garrincha, que toca para Pelé, e esse tocava bonito, num bom balanço de mão direita, as canções de Wilson Simonal, Geraldo Vandré e Elis Regina. Mas pouco antes de ir para a Copa do Mundo de 1966, na Inglaterra, da qual o Brasil saiu eliminado na primeira fase, o camisa 10 já tinha perdido outro lance: um violão que virou seu xodó durante a concentração da Seleção Brasileira. Sessenta anos depois, o instrumento, guardado por décadas, vai a leilão.

O Del Vecchio dos anos 1950 caiu nas mãos de Pelé, que já era o Rei do Futebol, coroado com as conquistas do Brasil nas Copas de 1958 e 1962, além dos feitos com o Santos. Para se preparar para o Mundial de 1966, a equipe canarinha se concentrou em Caxambu, Minas Gerais. Um dos jornalistas que foi cobrir a concentração levou consigo um violão. Pelé, um apaixonado por música desde sempre, adotou o instrumento. Em fotos históricas, ele aparece em rodas descontraídas com o Del Vecchio em mãos.

O violão em questão não pertencia ao repórter, mas sim a Angelica Teixeira Soares, que tocava em saraus e reuniões com seu grupo de violonistas. Agora, seu neto, Felipe Pinheiro Mirabelli, planeja colocar o instrumento em leilão online nesta sexta-feira (22), com lance inicial de R$ 20 mil. O violão, que Pelé se encantou, acabou por ser uma relíquia da história do futebol brasileiro.

Felipe descreve a situação: "Ele implorou pra minha avó emprestar. Ela relutou, mas acabou emprestando. Quando Pelé viu, ficou apaixonado pelo violão. Mas o jornalista não deixou, tinha que devolver pra minha avó. Pelé, então, resolveu assinar o violão, riscando o tampo com a chave. Assinou ‘Edson Pelé’." O neto compartilha detalhes da reação da avó, que ficou furiosa ao receber o violão de volta danificado.

Viúvo de Angelica, o Doutor Carlos Roberto confirma a versão do neto: "Angelica ficou furiosa, achou que ele tinha acabado com o violão. Nunca gostou dessa assinatura."

Antes de falecer em 2015, Angelica deu o violão de presente ao neto. Agora, ele, que sempre teve uma enorme paixão pela música, guarda a relíquia, mas está decidido a vendê-la.

Thales Zagalia, luthier especializado, analisa o instrumento: "Aparentemente é todo feito em cedro. A escala é em jacarandá, a roseta e os detalhes no cavalete são em celuloide. Tarraxas originais. Tem uma sonoridade bem particular, mais anasalado, com timbre na região média, e com graves bonitos."

Separado do violão com o qual animou as rodas em Caxambu, Pelé foi alvo de uma marcação violenta na sua estreia contra a Bulgária, o que resultou em sua ausência no segundo desafio, contra a Hungria. O Brasil acabou eliminado naquela Copa ao perder para Portugal."

Conspiracionistas poderão afirmar que a separação de Pelé do violão Del Vecchio nos levou à derrota naquele Mundial de 1966. O Dr. Carlos brinca: "É capaz, não duvido."