Financiamento de Dark Horse gera polêmica no Brasil
21/05/2026, 13:46:04
Os bastidores financeiros de Dark Horse, a cinebiografia de Jair Bolsonaro estrelada por Jim Caviezel, estão cercados de estranhezas e ineditismos. Um exemplo disso é que os R$ 61 milhões dados por Daniel Vorcaro foram integralmente enviados aos EUA, embora praticamente toda a estrutura da produção esteja no Brasil.
Apesar de ser considerado um filme internacional, as gravações ocorreram majoritariamente em São Paulo — com algumas cenas no México — utilizando equipes técnicas locais, maquinário brasileiro e fornecedores nacionais. Apenas o diretor, Cyrus Nowrasteh, e os atores principais são americanos. Karina Gama, dona da Go Up, disse à Malu Gaspar que "quase 50% do orçamento é elenco. Eu tinha 11 atores americanos".
Em resumo, pelo menos R$ 30 milhões saíram do Brasil para os EUA (para o fundo Havengate, sediado no Texas e ligado ao advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro) e retornaram ao Brasil. Por que? O advogado Ricardo Sayeg, que representa a Go Up, afirma apenas que toda a verba destinada ao fundo foi usada na produção do filme.
E a transferência dos recursos para os EUA? Apesar de a produtora ser brasileira, Sayeg diz que foi uma “opção gerencial”. Produtores brasileiros experimentados agem de outra forma em produções com esse perfil: remetem ao exterior apenas valores ligados ao diretor, elenco estrangeiro e despesas específicas de pós-produção.
A produtora Go Up, que nunca lançou um curta metragem sequer no Brasil ou no exterior, como revelou Malu Gaspar, preferiu usar um caminho tortuoso e menos óbvio para o uso do dinheiro disponibilizado por Vorcaro — uma quantia que faz do filme o de maior orçamento da história do audiovisual no país.
