Brasil e Austrália buscam ampliar cota de carne para China

Brasil e Austrália buscam ampliar cota de carne para China

Brasil e Austrália Pedem Ampliação de Cota de Carne para China


O Brasil, após um aumento de 52% nas exportações de carne bovina para a China entre janeiro e abril, atingiu rapidamente a cota de embarques sem a taxação adicional de 55%. Em parceria com a Austrália, que também elevou suas exportações, o Brasil solicitou à China a ampliação da cota sujeita à tarifa de 12% ou a redução da taxa fora do limite. Pequim autorizou a retomada de embarques por três frigoríficos brasileiros, aliviando as tensões comerciais.

As exportações brasileiras de carne bovina para a China aumentaram 52% entre janeiro e abril em relação ao mesmo período do ano passado, como mostram relatórios enviados pelo cientista ambiental Raoni Rajão. O ritmo de vendas levou o país a alcançar antes do previsto a cota de embarques sem a taxação adicional de 55%, de 1,106 milhão de toneladas, estabelecida pelo governo chinês a partir de 1º de janeiro. Inicialmente se estimava que a medida só teria impacto no segundo semestre, mas há 20 dias foi alcançado limite sem a taxa extra. Agora, em atuação conjunta com a Austrália — que também elevou as exportações do produto em 33% — o Brasil solicitou à China a ampliação do volume dentro da cota sujeita à tarifa usual de 12%, ou a redução da tarifação fora do limite, segundo informou a Reuters. Afinal, 55% é considerado um percentual proibitivo.

Esse pedido ganha ainda mais importância diante da autorização concedida por Pequim, nesta quarta-feira, para que três frigoríficos brasileiros retomem os embarques de carne bovina ao mercado chinês, após uma suspensão que durava pouco mais de um ano. O que é uma ótima notícia.

Para completar, a cota de embarques brasileiros foi atingida no momento em que Xi Jinping, após encontro com Donald Trump, comprometeu-se a comprar US$ 17 bilhões em produtos agropecuários dos Estados Unidos. Não que os EUA tenham carne bovina sobrando para vender à China, estão com seu menor rebanho em anos, mas isso representa uma preocupação adicional para o produtor brasileiro.

A China vem buscando desenvolver capacidade própria de suprimento de alimentos, como Rajão já destacou em entrevista publicada aqui no blog. O país sabe que não será autossuficiente, mas atualmente é muito dependente das importações e tem investido pesado para mudar essa realidade. O fato é que o gigante asiático é o maior importador global de carne bovina. No primeiro trimestre deste ano, as vendas do produto brasileiro para o mercado chinês chegaram a quase US$ 3 bilhões.

Podemos ver o copo meio cheio diante desse impasse, se avaliarmos que a carne que não for embarcada para a China pode aumentar a oferta no mercado interno e reduzir os preços, hoje bastante elevados, para o consumidor brasileiro. Ainda assim, é inegável que, sem uma renegociação da cota ou da taxação, a balança comercial do país pode ser afetada.