Banqueiro Vorcaro Transferido para Cela Comum na PF
19/05/2026, 04:16:04
Transferência de Daniel Vorcaro
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foi transferido recentemente para uma cela comum na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília, após estar detido por dois meses. A mudança ocorreu nesta segunda-feira e, de acordo com investigadores da PF, segue normas internas da corporação para a custódia de presos.
Vorcaro foi preso preventivamente pela segunda vez no dia 4 de março de 2026 e transferido para a Penitenciária Federal em Brasília em 6 de março. Sua detenção é parte da Operação Compliance Zero, uma investigação que apura fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e pagamento de vantagens indevidas relacionadas ao Banco Master. Durante sua estadia anterior, Vorcaro ocupava uma sala especial, que já havia sido utilizada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro durante sua prisão na PF.
Com essa mudança, ele agora ocupa uma cela destinada a presos em trânsito, que, segundo pessoas próximas, possui estrutura mais precária, com limitações de banheiro e acomodação. Além disso, a PF endureceu as regras para o acesso de advogados, com visitas agora sujeitas a controles mais rígidos e horários específicos, conforme determinado pela corporação. A defesa de Vorcaro ainda não se pronunciou sobre essas mudanças.
Obstáculos para a Delação
A transferência de Vorcaro ocorre em um momento delicado, já que ele havia assinado um termo de confidencialidade para negociar um acordo de delação premiada. Contudo, ele enfrenta dificuldades para convencer as autoridades de que está disposto a cooperar efetivamente. Investigadores da PF indicam que Vorcaro está pressionado a apresentar uma nova proposta para conseguir uma possível redução de pena em caso de condenação.
A primeira versão da proposta de delação apresentada por sua defesa, datada de 5 de maio, foi considerada insuficiente. Conforme o GLOBO relatou, o material coletado dos celulares do banqueiro e de seus associados contém elementos que vão além dos relatos apresentados até então. Vorcaro, por exemplo, não mencionou uma suposta mesada de R$ 500 mil ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), apontado pela PF como um “destinatário central” de favores financeiros.
A lista de favores inclui o uso de um imóvel em São Paulo, além do pagamento de despesas de viagens internacionais. Em resposta, a defesa de Ciro Nogueira repudiou quaisquer insinuações de ilicitude. Outro caso relevante que ficou de fora da proposta inicial é a suposta solicitação de financiamento para um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro feita pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com um orçamento que poderia chegar a R$ 124 milhões.
A PF também prendeu recentemente Henrique Vorcaro, pai do banqueiro, que é suspeito de ser o operador financeiro de um braço armado de uma suposta organização criminosa. Segundo as investigações, Henrique atuava como “demandante e beneficiário” do grupo que intimidava adversários de Daniel Vorcaro. A PF ainda afirma que Vorcaro usou uma conta do pai para ocultar R$ 2,2 bilhões de credores e vítimas de fraudes. A defesa de Henrique considera sua prisão “grave” e “desnecessária”.
