MPF investiga suposta espionagem em privatização da Copasa
18/05/2026, 15:27:06
Investigação sobre a Copasa
O Ministério Público Federal (MPF) instaurou um inquérito civil para investigar a contratação de uma consultoria pela Copasa por suspeita de monitoramento de parlamentares, autoridades públicas e lideranças ligadas ao debate sobre a privatização da companhia.
Segundo o MPF, a investigação busca apurar eventual violação de direitos fundamentais e possível descumprimento da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) na coleta e no tratamento de informações pela consultoria contratada pela estatal. O procedimento foi aberto após denúncia apresentada pela deputada estadual Beatriz Cerqueira (PT).
Conforme uma reportagem publicada pelo jornal "O Tempo", em novembro de 2025, a Copasa havia contratado uma consultoria para realizar um levantamento de "stakeholders" — termo usado para se referir a pessoas e grupos impactados por determinado tema. A empresa, em nota, afirmou que realiza estudos técnicos de forma periódica e que todas as contratações seguem normas de governança e compliance.
Contrato milionário e sua implicação
De acordo com documentos enviados ao MPF, a contratação da consultoria ocorreu em maio de 2025 e teve valor total de R$ 6,872 milhões. A denúncia menciona que o material contava com informações sobre deputados estaduais, autoridades públicas e líderes populares, além de relatórios com monitoramento de redes sociais, posicionamentos políticos e até referências à vida pessoal de parlamentares.
A investigação também destaca a existência de uma lista com mais de mil nomes monitorados. Documentos ainda mencionam estratégias de comunicação para justificar a privatização da companhia, com mensagens como "o modelo atual não garante agilidade nem volume de investimento" e "o Marco Legal não é uma escolha, é uma obrigação legal".
O MPF, em sua análise preliminar, afirma que os fatos podem configurar violação ao direito à intimidade e à vida privada das pessoas. Além disso, questiona a adequação da coleta de informações à LGPD, especialmente em relação ao tratamento de dados pessoais e sensíveis.
Para prosseguir com a investigação, o MPF solicitou documentos às partes envolvidas e o inquérito civil terá um prazo inicial de um ano para conclusão.
