Com Flávio fraco e Lula forte, como ficam Motta e Alcolumbre?

Enfraquecimento de Flávio Bolsonaro muda equilíbrio de forças em Brasília e fortalece o poder de negociação de Lula

Com Flávio fraco e Lula forte, como ficam Motta e Alcolumbre?

A política não tolera vazio. Quando um lado enfraquece, outro ocupa o espaço sem pedir licença. E é exatamente isso que começa a acontecer em Brasília diante do desgaste de Flávio Bolsonaro.

Com dificuldades para sustentar o discurso de oposição forte e vendo aliados tropeçarem em crises e contradições, Flávio deixa de ser peça de pressão nacional para virar símbolo de desgaste político. Enquanto isso, Luiz Inácio Lula da Silva cresce silenciosamente no tabuleiro, aproveitando a fragilidade adversária para reorganizar alianças e ampliar influência no Congresso.

É nesse cenário que entram Hugo Motta e Davi Alcolumbre.

Os dois sempre sobreviveram politicamente entendendo para onde sopra o vento do poder. E hoje o vento sopra mais perto do Palácio do Planalto do que do bolsonarismo rachado e enfraquecido.

Motta sabe que presidir espaços de poder exige estabilidade, diálogo e acesso ao governo federal. Alcolumbre, experiente como poucos no Senado, entende que nenhum projeto nacional avança sem proximidade com quem controla a máquina e distribui influência.

Na prática, quanto mais Flávio perde força, mais Lula ganha margem para negociar, atrair partidos e desmontar resistências. O Centrão não costuma morrer abraçado com projeto derrotado. E Brasília jamais teve apego à fidelidade ideológica quando o poder muda de direção.

O resultado é simples: Motta e Alcolumbre tendem a caminhar cada vez mais próximos de Lula — não por paixão política, mas por sobrevivência.

Creditos: Professor Raul Rodrigues