Mãe no PR adota três crianças após acolhimento
15/05/2026, 06:46:02
Andreia Cristina Pinheiro Jarletti e o marido conheceram as crianças ao participarem do projeto Família Acolhedora e durante visitas voluntárias a um abrigo de Maringá.
Andreia Jarletti, que adotou três crianças tendo quatro biológicos, decidiu iniciar processo de adoção ao sentir \"algo diferente\" durante a despedida de uma criança acolhida durante o projeto Família Acolhedora. Vitória, Ezequias e Richardy viviam no Abrigo Municipal de Maringá, no Norte do Paraná, e foram adotados por Andreia, que já tinha quatro filhos biológicos. Para entrar com o processo de adoção, Andréia e o marido deixaram o projeto Família Acolhedora, pois um dos requisitos para participar do programa de acolhimento é não ter interesse em adotar.
Andreia Cristina Pinheiro Jarletti, que adotou três crianças tendo quatro biológicos, decidiu iniciar processo de adoção ao sentir \"algo diferente\" durante a despedida de uma criança acolhida durante o projeto Família Acolhedora. Ela e o marido, Nóbili Augusto Jarletti, participaram do programa durante 10 anos, em Maringá, no norte do Paraná. A criança é Vitória, de 12 anos, que foi adotada pelo casal. Durante as visitas a ela no abrigo, Andreia também conheceu os irmãos Ezequias e Richardy, de 11 e 9 anos, e também os adotou. Todo o processo foi concluído em novembro de 2025, e eles passaram a ser oficialmente irmãos de Pedro, de 2 anos, Maria, de 6, Clara, de 10, e Sofie, de 14, que são filhos biológicos do casal.
\"Quando a gente se despediu da última acolhida, que foi a Vitória, a gente sentiu algo diferente. Eu vi que não queria mais apenas cuidar por um momento. Vi que eu queria cuidar para sempre. Foi aí que a gente decidiu adotar\", disse Andreia.
✅ Siga o g1 Maringá no WhatsApp Para entrar com o processo de adoção, Andréia e Nóbili deixaram o projeto Família Acolhedora. Isso porque um dos requisitos para participar do programa de acolhimento é não ter interesse em adotar.
🔎 O Serviço Família Acolhedora no Paraná é uma medida protetiva que cadastra e capacita famílias voluntárias para acolherem, temporariamente, crianças e adolescentes afastados de suas famílias de origem por ordem judicial, devido a situações de vulnerabilidade, negligência ou violência. É uma alternativa ao acolhimento institucional (abrigos), oferecendo cuidado individualizado em ambiente familiar.
Vitória, Ezequias e Richardy viviam no Abrigo Municipal de Maringá, no Norte do Paraná. Meses antes de serem adotadas, o local registrou uma série de problemas, tendo até fuga de crianças. À época, Andreia e o marido, inclusive, foram procurados para abrigar por uma noite cerca de 12 crianças. Entre elas, também estavam Vitória, Ezequias e Richardy. Meses após a situação, eles conseguiram oficialmente a adoção dos três.
\"Querendo ou não, a gente enfrenta muitos preconceitos. A gente vive isso no dia a dia, com frases e palavras bem difíceis. Muitas pessoas deixaram de ser nossos amigos, de conversar com a gente, depois que a gente concluiu os processos de adoção. Mas em contrapartida, outros também veem: o que seria dessas crianças se não tivesse alguém que acreditasse nelas?\", conta.
Adaptação
Apesar da diferença de faixa etária entre os filhos, Andreia afirma que o período de adaptação tem sido positivo. Para ela, a confiança entre eles está sendo construída aos poucos e as relações de amor e cuidado estão em constante formação. Andreia descreve a maternidade como o ato de se doar aos filhos, em detrimento de si mesma — mesmo com os desafios e, muitas vezes, cansaço. Ela afirma que ser mãe é algo divino e confessa que o que mais gosta da maternidade é estar na companhia dos sete filhos.
\"Eu adoro passear com eles, ficar em casa com eles, assistir filme, conversar e estar com eles. Mesmo que esteja faltando um, fica aquele vazio. [...] Querendo ou não, é cansativo. Mas em nenhum momento eu me arrependo de ter tido os meus filhos biológicos, nem os meus filhos adotivos. Eu sempre falo que eu os amo, que eu os quero e sempre vou lutar por eles\", afirma Andreia.
Decisão em família
Para adotar as outras crianças, Andreia não tomou a decisão sozinha. Ela contou com o apoio do marido e dos outros quatro filhos. Eles sabiam que ter a casa cheia sempre foi um sonho para ela e se alegraram em fazer parte desse plano. \"Eu sempre quis ter muitos filhos. Desde que eu era criança, isso fez parte de mim, tanto nas brincadeiras, como nas conversas [...] Quando eu me tornei mãe da minha filha primogênita, isso floresceu. E aí eu tive certeza do meu dom, pela maneira de eu ser, pelo jeito de eu lidar com as situações da maternidade [...] Meu amor é multiplicado a cada dia\", conta Andreia.
Durante as visitas ao abrigo, Andreia sempre fez questão de levar os filhos biológicos. Aos poucos, as crianças também foram criando um vínculo com Vitória, Ezequias e Richardy. Durante o processo de adoção, inclusive, as crianças foram questionadas durante avaliação psicológica, se concordavam em ter mais irmãos em casa, e confirmaram a vontade. \"Elas [filhos biológicos] ajudaram muito as crianças e isso foi muito bonito, porque eu sempre quis que elas vivessem outra realidade, bem diferente da que elas estavam acostumadas, na escola ou nas atividades que elas fazem [...] Hoje eles brigam igual irmãos mesmo, normal. Mas, se mexer com um deles, estão prontos para defender. Eles estão crescendo a cada dia juntos\", explica.
Andreia também afirma que, para dar conta da maternidade com vários filhos, o apoio do marido no dia a dia é imprescindível. Ela conta que, desde o começo, os dois \"sonhavam o mesmo sonho\". \"Quando você ama alguém que já é do seu laço sanguíneo, faz parte. Mas amar alguém de fora, às vezes as pessoas acham tão difícil, mas não é. Então, que a nossa história com as adoções e outras várias possam fazer crescer o número de crianças adotivas e que elas não sejam mais tão numerosas em abrigos, como ainda são\", finaliza Andreia.
