Empresário processa prefeitura após ser atingido por poste no Rio
15/05/2026, 05:52:04
João Cotrim, empresário de 36 anos, sofreu contusão lombar após ser atingido por um poste da prefeitura do Rio em Copacabana. Hospitalizado por dois dias, Cotrim anunciou que processará a prefeitura devido à falta de manutenção do poste. Em entrevista, expressou indignação pela negligência do poder público e destacou a importância de responsabilizar os responsáveis pela omissão e negligência.
O empresário hospitalizado após ser atingido por um poste da CET-Rio, na última segunda-feira, irá processar a prefeitura. João Cotrim, empresário de 36 anos, foi levado pelo Corpo de Bombeiros para o Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, depois encaminhado para um centro médico particular, onde ficou internado por dois dias, com contusão lombar.
— O sentimento é de indignação. Não é possível aceitar que os impostos que pagamos não sejam suficientes para a manutenção básica de equipamentos públicos. Que os políticos hoje no poder, além de não terem um pingo de humanidade, tenham outras prioridades além da proteção dos cidadãos que foram eleitos para representar — disse ele, em entrevista nesta quinta ao GLOBO, após receber alta.
Um poste da prefeitura que estava danificado há meses caiu na Rua Joaquim Nabuco, em Copacabana, Zona Sul do Rio, no fim da manhã de segunda-feira. Cotrim, que é sócio de uma empresa alimentícia que fornece para grandes restaurantes e hotéis do Rio, entre eles o Copacabana Palace, passava pelo local enquanto voltava do supermercado.
— Estou avaliando com meus advogados as providências judiciais, nos âmbitos cível e criminal, não por mero interesse pessoal ou vingança, mas como uma forma de exercer a minha cidadania e mostrar que o Poder Público precisa cuidar do cidadão — diz.
Leia o depoimento de João Cotrim na íntegra: "Segunda-feira, 11 de Maio, aproximadamente 10 horas da manhã, eu estava voltando para casa depois de ir à academia e passar no mercado. Ao começar a atravessar a Rua Bulhões de Carvalho, esquina com a Rua Joaquim Nabuco, ouço um estrondo muito alto. Olho para trás e vejo um semáforo espatifado no chão. Meu reflexo é o de correr. Dou 2 ou 3 passos na direção oposta até que sou derrubado por uma força indescritível. Sem entender o que tinha acontecido, me vejo no chão, no meio da rua, com carros vindo na minha direção. Tento me arrastar para fora da via, com muita dor nas costas até que aparecem as primeiras pessoas para me socorrer."
— Como era esquina da minha casa, vejo alguns rostos familiares, o que me tranquiliza um pouco. Um dos funcionários do meu prédio logo aparece e me tira da rua. Sigo desnorteado por um tempo. Sentindo uma dor insuportável nas minhas costas, pressão baixa, formigamento na lateral do corpo. Vejo que foi um poste havia me atingido.
Em um primeiro momento pensei que outro acidente pudesse ter causado a queda do poste, mas logo me informam que ele estava podre e que tinha caído sozinho. Tento me levantar, mas não consigo ficar muito tempo em pé. Volto ao chão e lá fico até a chegada dos bombeiros, uns 40 minutos depois do incidente. Recebo os primeiros socorros e sou levado ao Miguel Couto. De lá, fui transferido para um hospital particular, onde fiquei até a tarde de quarta-feira (13 de maio).
Esse tempo no hospital foi muito difícil. Estou com lesões sérias nas minhas costas, sem saber quanto tempo precisarei para me recuperar totalmente, qual será a extensão das sequelas, quando poderei voltar ao trabalho e à minha rotina que sempre foi de muito exercício. Sinto dores intensas e constantes, mobilidade completamente prejudicada. O trauma psicológico também é muito complicado. Temi pela minha integridade física e, principalmente, pela minha vida.
Depois de 48 horas de silêncio por parte do Poder Público e de seus representantes, que em nenhum momento me procuraram para saber como eu estava, se precisava de apoio ou cuidado, resolvi falar sobre o incidente nas redes sociais. O sentimento é o de indignação. Não é possível aceitar que os impostos que pagamos não sejam suficientes para a manutenção básica de equipamentos públicos. Que os políticos hoje no poder, além de não terem um pingo de humanidade, tenham outras prioridades além da proteção dos cidadãos que foram eleitos para representar. Agora estou tomando as medidas cabíveis para responsabilizar os autores desse crime de omissão e negligência frente à Justiça.
