Parto induzido: como funciona e quando é indicado

Parto induzido: como funciona e quando é indicado

O que é o parto induzido?

O parto induzido é uma intervenção médica que inicia o trabalho de parto quando ele não começa espontaneamente, utilizando medicamentos ou métodos para estimular a contração e o amadurecimento do colo do útero.

Segundo a obstetra do Hospital e Maternidade Santa Joana, Karina Belickas, esse método é uma opção quando a mãe deseja um parto normal e não há contraindicação, respeitando sempre a segurança tanto da gestante quanto do bebê.

— Colocamos uma mulher que deseja parto normal em trabalho de parto em um momento em que ela está sem contrações ou com contrações ineficientes. Esse processo pode ser estressante e cansativo para mãe e bebê, por isso, é importante que ambos estejam saudáveis. A saúde dos dois em primeiro lugar — afirma a médica.

Quando a indução é indicada?

  • Gravidez pós-data: nos casos de gestação pós-data (acima de 40 semanas) — os casos precisam ser discutidos individualmente com o pré-natalista.
  • Ruptura da bolsa: se a bolsa rompe no final da gestação e o trabalho de parto não se inicia espontaneamente.
  • Baixo líquido (ou oligoâmnio): quando o líquido amniótico está reduzido e não aumenta mesmo com hidratação ou após retirada do fator que causou a redução.
  • Problemas de saúde da mãe: casos como infecção, hipertensão ou diabetes podem indicar a antecipação do parto.
  • Crescimento fetal inadequado: necessidade de antecipação do parto para garantir melhor suporte nutricional para o bebê.

Como funciona o parto induzido?

Antes de iniciar o parto induzido, o obstetra avalia a situação da mãe e do bebê, explica os métodos disponíveis e verifica o amadurecimento do colo do útero e o bem-estar fetal.

A indução do parto é realizada no hospital, podendo combinar diferentes técnicas conforme a situação, sempre garantindo acompanhamento médico constante e segurança.

Uma das estratégias utilizadas para preparar o útero é o balão cervical, um método mecânico eficaz para amolecer e dilatar o colo do útero. Consiste em inserir esse balão no colo do útero e insuflá-lo, promovendo dilatação mecânica. Ele pode permanecer por até 24 horas, sendo comumente expulso naturalmente quando o colo atinge de 3 a 5 centímetros de dilatação.

Após o uso, se o trabalho de parto não evoluir, a ocitocina intravenosa pode ser utilizada para estimular e fortalecer as contrações.

— Há também o uso de comprimidos, como as prostaglandinas, que é o método mais utilizado, além de métodos naturais como fitoterápicos e exercícios fisioterapêuticos, embora nem todos tenham comprovação de eficácia — explica Belickas.

É mais dolorido do que o trabalho de parto normal?

A obstetra afirma que o procedimento de indução é mais prolongado do que o trabalho de parto normal, visto que há toda uma preparação. O tempo até o parto depende do amadurecimento do colo do útero, da técnica utilizada e da resposta do corpo da mulher ao procedimento.

Em relação à dor, Belickas diz que depende da percepção da paciente, mas que o processo de contração pode ser mais intenso e frequente, o que acaba causando mais desconforto para a gestante. No caso de Rafa Kalimann, por exemplo, todo o trabalho de parto durou mais de 40 horas.

César X Induzido

O tipo de parto vai depender da preferência da gestante. Apesar de a Organização Mundial de Saúde desaconselhar a cesárea sem indicação clínica, ainda existem muitas mulheres que preferem agendar uma cesárea. A diferença do parto induzido é que a mãe realmente deseja um parto normal.

Antigamente, essa opção não existia, sendo a cesárea a única alternativa quando o bebê estava pronto para nascer, já havia passado das 39 semanas, mas o trabalho de parto não tinha iniciado. O parto por indução tornou-se uma opção para gestantes que preferem escolher a data de nascimento de seus filhos por motivos pessoais.

— Tive um caso em que a gestante pediu para o bebê dela nascer dois dias antes por conta de uma situação de saúde familiar. Se nem ela nem a criança correm riscos e já está no tempo certo, não há motivo para não fazer — conclui Belickas.