História de superação de Dmitri Mendeleev na ciência

História de superação de Dmitri Mendeleev na ciência

A trajetória de superação do criador da tabela periódica


Paulo Henrique Lacerda tem 36 anos, é natural de Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro. Formado em Educação do Campo pela Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, com foco em Ciências Sociais e Humanidades, construiu sua base intelectual voltada para compreender o Brasil profundo, movimentos sociais e comunidades tradicionais, suas contradições e suas histórias pouco contadas. Desde 2016, atua como produtor de conteúdo e divulgador científico de história nas redes sociais, mantendo páginas no Facebook, Instagram e TikTok, onde transforma episódios históricos em narrativas acessíveis, envolventes e críticas. Seu trabalho se destaca por aproximar o grande público de temas muitas vezes esquecidos ou distorcidos, sempre com linguagem direta e senso de contexto.


Dmitri Mendeleev nasceu em 8 de fevereiro de 1834, em Tobolsk, na Sibéria, uma região isolada do antigo Império Russo, e era o filho mais novo de uma família enorme, possivelmente com mais de uma dezena de irmãos. Ter acesso à educação naquela época já era um privilégio. Teve a sorte de que seu pai, Ivan, trabalhasse como diretor de uma escola, mas nem tudo eram flores. O pai perdeu a visão quando Dmitri ainda era criança, o que afastou o trabalho e abalou a estabilidade financeira da casa.


Foi então que sua mãe, Maria, assumiu sozinha a responsabilidade de sustentar a família. Ela passou a cuidar e administrar uma pequena fábrica de vidro da família. Nesse ambiente simples, entre calor intenso e experimentos rudimentares, Dmitri teve seus primeiros contatos com transformações químicas, observando na prática a transformação da matéria, foi ali que ele pegou gosto pela química. Porém, mais uma tragédia atingiria a família: um incêndio destruiu a fábrica na década de 1840, eliminando a única fonte de renda e a possibilidade de Dimitri estudar por conta própria.


Diante dessa situação desesperadora, Maria tomou uma atitude corajosa. Entre 1849 e 1850, vendeu o que ainda tinha e embarcou com o filho caçula em uma longa jornada de cerca de 2.000 quilômetros em busca de oportunidades, acreditando que ele era a esperança da família. Tentaram primeiro Moscou, onde Dmitri não foi aceito possivelmente por critérios regionais de admissão. Sem desistir, seguiram para São Petersburgo. Ali, em 1850, Mendeleev foi finalmente aceito no Instituto Pedagógico Principal, onde seu pai havia estudado décadas antes. Pouco depois dessa conquista, Maria faleceu. Agora órfão, Dmitri tinha apenas a orientação moral da mãe que marcaria sua trajetória: buscar sempre a verdade, rejeitando ilusões.


Durante seus anos de estudo, entre 1850 e 1855, Mendeleev se destacou pelo desempenho. Mesmo enfrentando problemas de saúde, incluindo suspeita de tuberculose, que era praticamente uma sentença de morte na época, ele continuou firme em sua formação. Entre 1859 e 1861, teve a oportunidade de estudar na Alemanha, fato que mudou tudo em sua história. Ele se formou em Heidelberg, onde entrou em contato com importantes cientistas da época como Robert Bunsen, Gustav Kirchhoff e Emil Erlenmeyer.


Essas experiências ampliaram sua visão e consolidaram sua base científica. Quando retornou ao Império Russo, ele assumiu a cadeira de professor na capital, São Petersburgo, onde enfrentou um desafio que intrigava a comunidade científica: como organizar os elementos químicos conhecidos até então. Em 1869, apresentou a primeira versão da Tabela Periódica. O mais impressionante em seu trabalho não foi apenas a organização dos elementos, mas sua capacidade de prever o que ainda não havia sido descoberto, deixando espaços vazios na tabela para elementos desconhecidos.


Ele enfrentou resistência acadêmica a suas ideias, mas logo seria provado certo. Mendeleev fez contribuições relevantes em diversas áreas, como o estudo de soluções e a indústria do petróleo em seu país. Apesar de ser reconhecido como um dos maiores cientistas do século XIX, nunca recebeu o Prêmio Nobel de Química, algo considerado uma injustiça histórica, embora tenha sido indicado em 1906.


Morreu em 1907, em São Petersburgo, e o Nobel não é concedido postumamente. Sua história transpassa a ciência, mostrando que, mesmo diante de perdas e dificuldades, a determinação pode transformar o mundo.