Entre Catapultas e Tribunais, Atenas e Esparta brasileiras está em Brasília

Das guerras de Atenas e Esparta aos conflitos de Brasília, onde as armas deram lugar às palavras — e o povo segue como o principal ferido.

Entre Catapultas e Tribunais, Atenas e Esparta brasileiras está em Brasília

Na lendária história das guerras medievais, a luta entre Atenas e Esparta é uma das mais divulgadas pela literatura e pelo cinema épico. Era uma guerra que utilizava a inteligência dos sábios engenheiros, que construíam catapultas, escadas em forma de torres, e dos generais, responsáveis pelas estratégias de combate no campo.

Hoje, as guerras estão concentradas em Brasília, entre os Onze de toga, os inúmeros de colarinho branco, os mantenedores das luxúrias e o pacificador — aquele que representa o poder central e que alimenta a todos. O encantador de serpentes, seja ele quem for.

As catapultas e escadas em forma de torres foram substituídas por argumentos e contrarrazões, réplicas e tréplicas, embargos de todos os tipos, enquanto o tempo corre contra o povo, que termina sendo o maior contingente de feridos — e, se reagir, preso por tantas quantas razões a lei apontar.

Enquanto, entre Atenas e Esparta, os soldados se matavam, em Brasília um sicário se suicida, e o maior promotor das luxúrias pede socorro para ser atendido em hospital particular, por medida de segurança. O “master” não pode estar em meio ao povo, nem mesmo quando transportado de uma cidade para outra.

Já o outro envolvido, que representa o Banco Recheado de Broncas (BRB), chega preso, cobrando transferência para um local seguro e tranquilo. E os mediadores — renomados advogados — preparam delações “voluntárias”, desde que todos se salvem a bordo do escândalo da mulher de César.

Eis a diferença entre a Lei de Talião e a Constituição.

Creditos: Professor Raul Rodrigues