Brasileira com doença terminal escolhe morte assistida na Suíça

Brasileira com doença terminal escolhe morte assistida na Suíça

Célia escolheu o suicídio assistido, uma prática ilegal no Brasil, então viajou para a Suíça para realizar o procedimento que foi organizado e planejado ao longo de sete meses com uma ONG especializada.

A professora Célia Maria Cassiano, que atuava na cidade de Campinas, em São Paulo, escolheu passar pelo procedimento de morte assistida nesta quarta-feira (15), na Suíça. Diagnosticada com atrofia muscular progressiva (AMP), uma doença degenerativa, sem cura, ela compartilhava a rotina e os desafios impostos pela sua condição nas redes sociais. Em um vídeo de despedida, ela celebrou ter vivido "uma vida deliciosa".

Célia estudou Ciências Sociais e fez mestrado de Multimeios na Unicamp, atuava como educadora na área de artes no Sesc e na Esamc, em Campinas.

Descoberta da doença

O diagnóstico da doença chegou em outubro de 2024, quando a professora passou a usar as redes sociais para falar abertamente sobre a doença e mostrar as dificuldades motoras de como o corpo para de responder aos comandos conforme a evolução do quadro.

Com o avanço da doença, Célia passou a depender de cuidadores de forma constante para tarefas como tomar banho, se alimentar e se locomover.

Em março deste ano, após perceber alterações na voz, a educadora criou um documento com Diretivas Antecipadas de Vontade (DAV), no qual afirmava que não aceitaria procedimentos invasivos para prolongar sua vida.

A escolha

Célia escolheu o suicídio assistido, uma prática ilegal no Brasil, então viajou para a Suíça para realizar o procedimento que foi organizado e planejado ao longo de sete meses com uma ONG especializada.

Antes da despedida, Célia curtiu sua viagem ao país. No dia 11 de abril, ela começou a publicar fotos da viagem à Zurique, dizendo aos amigos que participaria de um tratamento experimental.

Só na quarta-feira (15) que a professora contou aos seguidores e amigos o motivo da viagem e sua escolha pela morte assistida.

"Vou ter duas enfermeiras do meu lado e não vou sentir dor nenhuma. Estou no limite da minha dignidade. Vivi uma vida deliciosa e os últimos dias aqui foram os melhores da minha vida. Daqui a pouco vou descansar para sempre, como todos nós vamos." - Célia Maria Cassiano

Ainda deixou uma mensagem defendendo a prática como um direito que o Brasil deveria permitir.

"Lutem por esse direito no Brasil, uma lei que permita uma escolha para quem assim desejar." - Célia Maria Cassiano

Prática proibida no Brasil

Tanto a eutanásia, que é quando a equipe médica administra o medicamento, quanto o suicídio assistido, em que a ação é do próprio paciente, são práticas consideradas ilegais no Brasil.

No Código Penal brasileiro, essas práticas são entendidas como homicídio ou indução ao suicídio. Já a ortotanásia, quando um paciente em estado terminal decide não passar por intervenções que prolonguem a vida, permitindo que a morte ocorra de forma natural, é regulamentada no Brasil pelo Conselho Federal de Medicina, na resolução nº 1.805/2006.

Especialistas defendem que o assunto deveria ser mais discutido no país, que ainda trata o tema como um tabu.

A Suíça é o único país que permite o suicídio assistido para estrangeiros não residentes, por isso há um movimento de pacientes que buscam o país para a realização do procedimento.

O que é a atrofia muscular progressiva?

A Atrofia Muscular Progressiva (AMP) é uma doença rara e degenerativa que afeta os neurônios motores inferiores na medula espinhal, resultando em fraqueza, perda de massa muscular, ou seja, atrofia, e contrações involuntárias. É uma forma de doença do neurônio motor (DNM) que progride lentamente, afetando principalmente os membros, e é considerada um subtipo da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), sem cura.