Eleição na Alerj e as repercussões políticas no Rio

Eleição na Alerj e as repercussões políticas no Rio

Contexto político da eleição na Alerj

O deputado estadual Douglas Ruas foi escolhido pelos pares nesta sexta-feira (17) para presidir a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Isso dá a ele mais do que o comando do parlamento fluminense. Ruas assume o posto em um momento em que o estado está acéfalo. O governador, Claudio Castro (PL), renunciou para não ser cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral por abuso de poder político e econômico.

Denúncias e investigações

Durante a campanha de 2022, o Ministério Público do Rio identificou um sistema de contratações temporárias pela Fundação Ceperj, estatal que atua em estratégias de políticas públicas no estado. Ao todo, 18 mil pessoas teriam sido contratadas em projetos do governo sem publicação clara dos nomes ou funções. Segundo a denúncia, os "funcionários" foram usados para montar uma máquina de campanha informal dentro da Ceperj. Eles atuavam como cabos eleitorais e promoviam ações de governo em período eleitoral – um caso clássico de uso da máquina pública em benefício próprio.

Castro, por justiça, caiu. Mas o vice dele, Thiago Pampolha, não pode assumir porque foi indicado para o Tribunal de Contas do Estado e assumiu o posto em 2025.

Sucessão e impacto da eleição

Pela ordem, quem deveria assumir o governo, então, era Rodrigo Bacellar, presidente da Alerj. O problema é que Bacellar está licenciado do mandato desde que 10 de dezembro de 2025, quando foi preso na Operação Unha e Carne, da Polícia Federal. Ele é suspeito de vazar informações sigilosas sobre a investigação contra o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, acusado de intermediar compra e venda de armas para o Comando Vermelho.

A derrubada do castelo de cartas tornou a eleição para a Alerj, nesta sexta-feira, um momento-chave da política fluminense. Ruas, o presidente eleito, é pré-candidato ao governo do Rio. E, pela linha de sucessão, deveria assumir o posto já, mas a definição sobre quem comandará o Palácio Guanabara ainda depende do Supremo Tribunal Federal.

A votação e o futuro de Ruas

O governador interino é hoje o desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio. Ruas teve 44 votos de um total de 70 possíveis em uma votação em que 25 parlamentares, todos ligados ao prefeito Eduardo Paes (PSD), deixaram o plenário em protesto. Um racha e tanto.

O cargo deve turbinar as chances de Ruas, o nome apoiado por Castro para a sucessão, durante a eleição de outubro. Com tantas idas e vindas para nada, o Rio de Janeiro prova, assim, a sentença do Príncipe de Falconeri, personagem de “O Leopardo”, de Lampedusa: "tudo deve mudar para que tudo fique como está".