Artemis II retoma comunicação com a NASA após apagão

Artemis II retoma comunicação com a NASA após apagão

Cápsula fica isolada da Terra por cerca de 40 minutos, em etapa prevista da missão; fato acontece, porque o satélite atua como uma barreira natural

A missão Artemis II registrou uma perda temporária de comunicação às 19h47 (horário de Brasília) na segunda-feira (6), quando a cápsula Orion ficou cerca de 40 minutos sem contato com a Terra ao passar atrás da Lua. Após esse período, a comunicação foi retomada.

Esse fato ocorreu durante o sobrevoo do satélite natural realizado pelos quatro astronautas que ocupam a Orion, em uma etapa prevista da trajetória de retorno livre, devido ao bloqueio físico do sinal pela massa lunar. O período de silêncio acontece porque a Lua atua como uma barreira natural para as ondas de rádio, impedindo qualquer transmissão direta entre a espaçonave e a Terra.

A tripulação voltou a se comunicar com a central de comando após cerca de 40 minutos incomunicável durante o sobrevoo lunar. Essa perda de sinal é prevista na missão e ocorre quando a nave passa atrás da Lua. Nesse momento da trajetória, a Orion entra na chamada “zona de sombra”, ficando fora do alcance da Rede de Espaço Profundo da NASA, responsável por rastrear, enviar comandos e receber dados da missão.

Sem satélites de retransmissão posicionados atrás da Lua, toda comunicação, incluindo voz, telemetria e imagens, é interrompida até que a nave volte ao campo de visão terrestre. Este trecho faz parte de uma manobra conhecida como trajetória de retorno livre, onde a gravidade da Lua conduz a nave ao redor do satélite e a coloca automaticamente no caminho de volta à Terra.

Operação autônoma

Durante essa fase, a tripulação não recebe instruções em tempo real e precisa seguir procedimentos previamente planejados, operando de forma autônoma com base em sistemas embarcados e treinamentos realizados antes da missão.

A situação não é considerada uma falha, mas uma condição prevista desde o planejamento do voo. Missões do programa Apollo já enfrentaram o mesmo tipo de interrupção ao contornar a Lua, tornando esse apagão um elemento esperado dentro da exploração lunar tripulada. Apesar disso, trata-se de um dos momentos mais sensíveis da missão, onde qualquer decisão precisa ser tomada sem contato imediato com o controle em solo.

Além do impacto operacional, o isolamento temporário também possui relevância técnica para os objetivos da Artemis II. O episódio funciona como um teste das capacidades da cápsula Orion em operar de forma independente no espaço profundo, algo essencial para futuras missões mais longas, como viagens a Marte.

Esse evento também marca o instante em que os astronautas atravessam o lado oculto da Lua, uma região que não pode ser observada diretamente da Terra e apresenta características geológicas distintas. O restabelecimento do contato ocorre automaticamente, assim que a espaçonave deixa a região bloqueada pela Lua, permitindo a retomada imediata do envio de dados e da comunicação com o controle da missão.

Saiba mais sobre a missão Artemis II

A missão Artemis II é o primeiro voo tripulado do programa Artemis, da agência espacial norte-americana NASA, e marca o retorno de astronautas a uma trajetória ao redor da Lua após mais de 50 anos desde o programa Apollo, encerrado em 1972. A etapa atual tem caráter de teste, com foco na verificação dos sistemas da nave Orion em condições reais de espaço profundo.

A bordo estão quatro astronautas: Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense. Ao longo de cerca de dez dias de missão, eles seguem uma rotina de atividades que envolve monitoramento constante dos sistemas da nave, realização de testes operacionais e acompanhamento do desempenho da cápsula durante a viagem ao redor da Lua e o retorno à Terra.

Durante a missão, a tripulação participa de transmissões ao vivo diretamente da nave, além de briefings e interações programadas com equipes em solo. Essas atividades fazem parte da rotina de comunicação e acompanhamento das etapas do voo. A combinação entre tarefas técnicas, observações e manutenção da rotina diária compõe o fluxo de trabalho durante a missão em espaço profundo.

Dentro da Orion, a equipe vive em um ambiente compacto, com sistemas que garantem suporte à vida, controle de temperatura, fornecimento de ar e água, além de espaços organizados para descanso e alimentação. A rotina inclui períodos de trabalho, checagem de equipamentos e contato com a equipe em solo, que acompanha cada etapa da missão em tempo real.

Além das atividades técnicas, a missão também inclui momentos de observação e registro do ambiente espacial, com a tripulação acompanhando a jornada ao redor da Lua enquanto os sistemas da nave registram dados importantes para futuras missões. A Artemis II é uma etapa de preparação para próximas fases do programa, que incluem voos mais complexos e o retorno de humanos à superfície lunar.