O declínio da política sergipana: dos Franco a João Alves para os dias atuais

A região do baixo São Francisco sente a falta de lideranças identificadas com a população ribeirinha e da política dos homens de bem.

O declínio da política sergipana: dos Franco a João Alves para os dias atuais

O Brasil perde, a cada dia, parte do bom currículo dos políticos que, por décadas, comandaram os estados e o país até chegarmos onde estamos. Vivemos o declínio da política e dos políticos.

Em Sergipe, dos anos 60, 70, 80 e 90 — com os Franco, de Albano a João Alves, este praticamente criado em sua “cozinha” (maneira de escrever e descrever) — até os tempos de Marcelo Déda, e chegando aos dias atuais, o ocaso da classe política se revela de forma nua e crua.

Foi a própria classe política que se degenerou e criou o abismo eleitoral ao qual hoje submete os sergipanos, com escolhas nada recomendáveis quando comparadas aos tempos de ouro da política local.

Com Albano Franco, o menor estado da federação ainda assim brilhava entre as estrelas da bandeira brasileira, sendo visto como um importante polo político, que não se dobrava nas eleições dos anos 1980. À época, Sergipe, com o PFL à frente, se contrapunha aos demais estados, então dominados pelo MDB — partido que elegeu Fernando Collor governador de Alagoas, de onde sairia para a Presidência da República.

Sergipe manteve-se altaneiro, preservando suas raízes dos Franco a João Alves, sob as cores do Partido da Frente Liberal (PFL).

Depois, com Marcelo Déda, fez-se presente no governo Lula sem perder sua identidade de pequeno território, mas de homens trabalhadores e honestos. Não há notícias de Albano Franco, João Alves ou Marcelo Déda perambulando por tribunais eleitorais para viabilizar candidaturas.

Tampouco se via governador amparado por decisões judiciais para tomar posse sendo o menos votado.

Hoje, Sergipe sofre com a ausência de verdadeiras lideranças, de homens cujos currículos não enveredem pelos tribunais em busca de amparo legal para serem candidatos.

Vive-se, portanto, o declínio moral no topo da pirâmide dos cargos políticos. E, como toda regra admite exceção, aos de vida limpa, o nosso respeito.

Creditos: Professor Raul Rodrigues