PM acusado de feminicídio se aposenta com salário alto
02/04/2026, 18:05:58
Contexto da Aposentadoria
O tenente-coronel da Polícia Militar (PM) Geraldo Leite Rosa Neto foi aposentado pela corporação, mesmo estando preso por suspeita de matar a própria esposa, também policial. A decisão saiu no Diário Oficial do Estado de São Paulo nesta quinta-feira (02) e já garante pagamento integral proporcional ao tempo de serviço.
Detalhes Financeiros
A aposentadoria foi assinada pela Diretoria de Pessoal da PM e coloca o oficial na reserva com remuneração calculada em 58/60 do tempo de carreira, no padrão de salário da função que ocupava. Antes da prisão, em fevereiro de 2026, ele recebeu R$ 28,9 mil brutos, segundo o Portal da Transparência do Governo de São Paulo.
O Caso de Feminicídio
A policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi a vítima. O tenente-coronel está preso desde março, suspeito de matar a soldado Gisele Alves Santana, de 32 anos, no apartamento do casal, no Brás, região central de São Paulo. A investigação aponta feminicídio e fraude processual. A Justiça já negou pedidos de liberdade feitos pela defesa.
Investigação e Evidências
O caso, que inicialmente foi tratado como suicídio, mudou de rumo após laudos indicarem marcas no corpo da vítima e inconsistências no relato do oficial. A Polícia Civil pediu a prisão após concluir o inquérito, apontando indícios de feminicídio e tentativa de alterar a cena. Peritos identificaram lesões no pescoço e no rosto de Gisele. Também houve dúvida sobre a posição da arma e o comportamento do oficial no momento do socorro.
- Relato de que ele estaria no banho quando o disparo aconteceu.
- Socorristas relataram que ele estava seco e havia ausência de água no imóvel.
- Um trecho da investigação apontou que o oficial tomou banho após a vítima ser socorrida.
Além disso, a toalha usada foi recolhida e apresentou vestígios de sangue. Testemunhas relataram que policiais estiveram no apartamento horas depois e fizeram uma limpeza no local. Imagens de câmeras mostram o oficial voltando ao imóvel e saindo pouco tempo depois com objetos. Geraldo nega o crime, afirmando que a esposa atirou contra a própria cabeça.
Impacto da Aposentadoria
Com a publicação da aposentadoria, Geraldo deixa de atuar na Polícia Militar e passa a receber como inativo. A decisão administrativa não interfere no processo criminal, que segue na Justiça. Se condenado, ele ainda pode perder o posto e a patente em decisão própria da Justiça Militar. A defesa do oficial afirma que aguarda o julgamento dos pedidos apresentados e mantém a versão de que não houve crime.
