Ciclone atípico se aproxima da costa do Sul do Brasil

Ciclone atípico se aproxima da costa do Sul do Brasil

Fenômeno se formou no Atlântico e apresenta trajetória incomum rumo ao continente, fugindo do padrão que costuma se deslocar em sentido oposto


Um ciclone foi identificado nesta terça-feira (31) sobre o Oceano Atlântico, na altura da costa da Região Sul do Brasil, com deslocamento em direção a Oeste-Sudoeste. Essa trajetória é considerada incomum para esse tipo de sistema. As informações são da Metsul Meteorologia.

Segundo análise da MetSul, o sistema no Atlântico apresenta características de um ciclone subtropical, com convecção ativa no centro da circulação, uma condição típica nesse tipo de fenômeno.

Dados de sensores de descargas atmosféricas indicaram grande incidência de raios na manhã desta terça-feira (31) no núcleo do ciclone, associada à presença de nuvens carregadas na área central.

Apesar do comportamento incomum na costa, a Marinha do Brasil, que é responsável por classificar e nomear sistemas meteorológicos considerados anormais no litoral, não emitiu aviso especial até o momento.

Semanas atrás, um sistema de menor intensidade chegou a ser nomeado pela Marinha na costa brasileira. Já o ciclone que atua atualmente no mar, na altura da Região Sul, é considerado duplamente atípico pela MetSul Meteorologia, tanto pela sua estrutura quanto pela trajetória em mar aberto.

Trajetória e estrutura chamam atenção

O fenômeno chama atenção por dois aspectos. O principal é devido à trajetória do sistema, que segue do oceano de Leste para Oeste em direção ao continente, diferente do padrão que costuma acontecer.

Em geral, ciclones que se formam na costa brasileira se deslocam no sentido oposto, de Oeste para Leste, se afastando da terra em direção ao mar.

Outra característica atípica é a sua estrutura. O ciclone apresenta um núcleo parcialmente quente, com convecção ativa no centro, o que foge ao padrão dos ciclones extratropicais, que possuem núcleo frio.

Os ciclones subtropicais ou tropicais são menos comuns e costumam ser nomeados quando apresentam ventos sustentados acima de 60 km/h.

Ainda de acordo com a Metsul, em relação aos impactos, o sistema se aproxima da costa entre a tarde e a noite desta terça-feira (31) e ao longo de quarta-feira (1º), mas perde força gradualmente e inicia seu processo de dissipação ainda sobre o oceano.

Ventos fortes e chuva associadas ao sistema

A previsão indica ventos fortes a intensos em mar aberto, com rajadas entre 70 km/h e 90 km/h ao longo desta terça (31). No litoral do Rio Grande do Sul, os ventos podem variar entre 40 km/h e 50 km/h. Com o enfraquecimento do sistema, a tendência é de diminuição da intensidade dos ventos no dia seguinte.

Áreas de instabilidade ligadas ao vórtice do ciclone provocam chuva nesta terça-feira no Rio de Janeiro, com possibilidade de episódios localmente fortes e até temporais isolados em pontos do estado.

Na costa do Sul, o sistema também favorece a formação de instabilidade, com pancadas de chuva associadas a nuvens do tipo Cumulus entre a segunda metade do dia e a quarta-feira (1°), atingindo trechos do litoral do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e áreas próximas.