Trump autoriza envio de petróleo russo para Cuba

Trump autoriza envio de petróleo russo para Cuba

O retorno do petróleo a Cuba

Cuba assistiu à chegada nesta segunda-feira (30/3) de um navio russo transportando 730 mil barris de petróleo bruto – o primeiro em quase três meses, desde que a suspensão das importações de petróleo venezuelano por decisão do governo americano deixou a ilha comunista à beira do colapso. A informação foi confirmada por autoridades russas. Segundo o Kremlin, que prometeu apoiar a ilha com mais suprimentos apesar do bloqueio americano, o petroleiro sancionado Anatoly Kolodkin estava esperando para descarregar no porto de Matanzas.

Declarações de Trump

"Se um país quer mandar um pouco de petróleo para Cuba agora, não tenho nenhum problema se é a Rússia [...] e se outros países quiserem fazê-lo", declarou a repórteres no domingo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo o jornal americano The New York Times, a guarda marinha americana decidiu autorizar a passagem do petroleiro russo para evitar um eventual confronto armado com Moscou.

A crise econômica de Cuba

Cuba enfrenta uma grave crise econômica que piorou com a captura do então presidente venezuelano, Nicolás Maduro, por forças americanas em 3 de janeiro deste ano, e a subsequente suspensão das remessas de petróleo venezuelano à ilha. Desde então, Trump ameaçou impor tarifas a qualquer outro país que enviasse petróleo bruto a Havana. O país depende da commodity para alimentar usinas de energia e o transporte, e tem enfrentado apagões recorrentes. Autoridades de saúde dizem que a crise aumentou o risco de mortalidade para pacientes com câncer, especialmente crianças.

A visão de Trump sobre Cuba

"Cuba já era. Eles têm um governo ruim. Eles têm uma liderança muito ruim e corrupta, e recebem ou não um barco de petróleo, isso não importa", afirmou Trump no domingo. "Prefiro deixá-lo entrar [o Anatoly Kolodkin], porque o povo precisa de aquecimento e resfriamento, e todo o resto." Dias antes, na sexta-feira, Trump declarara ao comentar a deposição de Maduro na Venezuela que Cuba seria a "próxima".

Negociações entre Rússia e EUA

Kremlin negociou com a Casa Branca e promete manter ajuda. O Kremlin disse que havia levantado a questão do petroleiro durante conversas com os EUA, e que a Rússia considerava ter o dever de apoiar "amigos" em Cuba. "Essa questão foi realmente levantada antecipadamente durante contatos com nossos parceiros americanos", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, a repórteres. Cuba não recebia um petroleiro há três meses, segundo o presidente Miguel Díaz-Canel.

A dependência de petróleo de Cuba

A ilha tornou-se dependente da União Soviética para petróleo após a revolução comunista de 1959. O país recebeu neste ano apenas 84,9 mil barris de petróleo bruto, vindos do México, em 9 de janeiro. Em 2025, o regime importava em média 37 mil barris por dia, fornecidos principalmente por México e Venezuela, segundo o jornal Financial Times.

Futuro dos envios de petróleo

Questionado se novos envios russos viriam a seguir, Peskov disse: "Na situação desesperadora em que os cubanos se encontram agora, isso, é claro, não pode nos deixar indiferentes, então continuaremos a trabalhar nisso". Dados de rastreamento de navios da LSEG mostraram que o petroleiro russo havia deixado o porto russo de Primorsk, no mar Báltico, em 8 de março e estava agora se movendo ao longo da costa norte de Cuba. (Reuters, AFP, dpa)