CPMI do INSS encerra sem relatório final de indiciamentos
29/03/2026, 06:03:27
Encerramento da CPMI do INSS
Logo após a apuração do resultado, o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), decidiu pelo encerramento dos trabalhos da comissão sem a votação de um relatório alternativo, produzido pela base governista.
Após sete meses de trabalho, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS (CPMI do INSS) foi encerrada sem relatório final. O parecer do deputado Alfredo Gaspar (União-AL) foi rejeitado pela maioria dos membros da comissão, com um placar de 19 a 12.
A senadora Eliziane Gama (PSD-MA) apresentou uma questão de ordem para a apreciação do relatório alternativo. Viana não acatou o pedido e não indicou um relator para ler o texto da base governista. Mesmo assim, Carlos Viana anunciou que a investigação continuará.
Cópias do relatório rejeitado, segundo ele, serão encaminhadas a diversas instituições, incluindo o Ministério Público Federal (MPF) e o Supremo Tribunal Federal (STF). O deputado Paulo Pimenta (PT-RS) afirmou que o documento da base governista será levado à Polícia Federal.
Detalhes da Investigação
A reunião que selou o destino da CPMI começou pouco antes das 10h de sexta-feira (27) e terminou depois da 1h da madrugada deste sábado (28). Com mais de 4 mil páginas, o texto do relator pedia o indiciamento de 216 pessoas. Entre os indiciados estão Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS; o empresário Maurício Camisotti; o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro; ex-ministros, ex-dirigentes do INSS e parlamentares.
O relator também pediu o indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, alegando que ele teria recebido repasses do Careca do INSS por meio de uma amiga, a empresária Roberta Luchsinger, também indiciada. Este documento foi apresentado após o STF rejeitar, na quinta-feira (26), a prorrogação dos trabalhos da CPMI do INSS.
Relatório Alternativo e Indiciamentos
O relatório alternativo, apresentado pela base do governo, pedia o indiciamento de 201 pessoas, incluindo ex-ministros, políticos, servidores do INSS e dirigentes de associações. Destaca-se que o ex-presidente Jair Bolsonaro foi citado como comandante de uma suposta organização criminosa que fraudava descontos associativos do INSS. O parecer também incluía o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por organização criminosa.
Histórico da CPMI
A CPMI iniciou os trabalhos em agosto de 2025, focando em investigar descontos indevidos nos benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. Durante as sessões, também foram apuradas as ligações do Banco Master com a concessão irregular de empréstimos consignados a aposentados.
Nas semanas anteriores ao seu encerramento, a CPMI foi acusada de vazar conversas pessoais de Daniel Vorcaro, as quais foram obtidas a partir de celulares apreendidos pela Polícia Federal e repassados à comissão mediante autorização do ministro André Mendonça, relator do caso no STF.
