CPI do INSS rejeita indiciamentos e relatório final
29/03/2026, 06:00:19
CPI do INSS encerra sem relatório final
A CPI do INSS realizou uma votação na madrugada deste sábado, 28, onde rejeitou o relatório final do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL). O documento pedia o indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, além de outras 215 pessoas, incluindo o banqueiro Daniel Vorcaro, o senador Weverton Rocha (PDT-MA), o deputado Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e a deputada Gorete Pereira (MDB-CE).
Após a votação, o presidente da Comissão, senador Carlos Viana, se negou a submeter à apreciação um texto alternativo apresentado pelos governistas. Viana optou por encerrar a reunião sem qualquer nova análise, finalizando assim a CPI do INSS sem a apresentação de um relatório conclusivo.
Este documento, que foi lido nesta sexta-feira, 27, após a negativa do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a prorrogação das atividades da CPI, continha 4.340 páginas e teve oito horas de leitura. Gaspar incluiu recomendações para que os ministros do STF, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, fossem investigados sob alegações de tráfico de influência em suas relações com Vorcaro, conforme informado no relatório.
O relatório chegou a sugerir a prisão preventiva de Lulinha, atualmente residindo na Espanha, justificando a alegação de risco de fuga. Um detalhe notável é que o relatório não incluiu o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, o qual esteve envolvido em operações financeiras através de fundos de investimento junto ao banqueiro.
A base fiel ao Palácio do Planalto se opôs à aprovação do documento e lançou uma versão alternativa que pedia 170 indiciamentos, incluindo o de Jair Bolsonaro, acusando-o de organização criminosa, improbidade administrativa e furto qualificado contra idosos. Essa versão nunca foi apreciada pela comissão.
Com o propósito de barrar o relatório de Gaspar, o governo potencializou a mobilização de aliados. O senador Jacques Wagner (PT-BA) retornou rapidamente de Salvador a Brasília para participar da votação. Além disso, o ministro da Agricultura Carlos Fávaro foi exonerado de seu cargo para ocupar uma cadeira no senado e assim, ajudar na votação, sendo sua suplente, Margareth Buzetti, uma oposicionista a Lula.
O relatório final listou um total de 41 empresas que supostamente teriam sido utilizadas para efetuar pagamentos de propinas e lavagem de dinheiro, que totalizariam aproximadamente R$ 39 bilhões movimentados entre 2018 e 2025. De acordo com o texto, "a quase totalidade" dessas firmas apresentava indícios de serem apenas de fachada, um sinal de que estavam sendo utilizadas para transações financeiras de breve duração.
Além disso, o relatório sugeria o indiciamento de ex-ministros da Previdência dos governos de Lula e Bolsonaro, bem como de um ex-assessor de Alcolumbre. Gaspar solicitou que dois ex-ministros da Previdência, Carlos Lupi, do governo Lula, e José Carlos Oliveira, do governo Bolsonaro, também fossem indiciados, imputando-lhes crimes graves, incluindo prevaricação e lavagem de dinheiro.
Os pedidos de indiciamento listados no relatório rejeitado pela CPI do INSS incluem diversas pessoas com suas respectivas acusações, totalizando uma extensa lista que abrange figuras de destaque.
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