Clima tenso na CPMI do INSS resulta em ofensas

Clima tenso na CPMI do INSS resulta em ofensas

O clima tenso tomou conta da 38ª sessão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que faz o desfecho técnico das investigações sobre fraudes bilionárias contra aposentados. Na manhã desta sexta-feira (27), a reunião que tinha como objetivo claro ler o relatório final dos trabalhos e votar foi atropelada por um bate-boca violento entre o deputado Alfredo Gaspar (União) e o deputado Lindbergh Farias (PT).

Tudo começou quando o deputado petista, exaltado, falou diretamente ao relator e o chamou de "estuprador". A acusação referia-se a um caso antigo do qual Alfredo responde, sendo ele um ex-procurador de Justiça que foi inocentado. Essa declaração gerou indignação imediata do relator, que reagiu na mesma moeda, chamando Lindbergh de "ladrão" e "corrupto", e se exaltou ao afirmar que "estuprou a corrupção de pessoas como o parlamentar".

Ameaça de expulsão

Depois do bate-boca, o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos), retomou a sessão e ameaçou expulsar Lindbergh do plenário caso a ordem não fosse reestabelecida. Ele também determinou que o termo "estuprador" fosse retirado das notas taquigráficas da Casa por ferir o decoro parlamentar. "Vossa Excelência está desrespeitando não apenas este colegiado, mas todos os aposentados que aguardam uma resposta", classificou o presidente.

Promessa de representação jurídica

A pedido do relator, foi concedido um intervalo de 15 minutos. Durante este tempo, Alfredo Gaspar convocou uma coletiva de imprensa improvisada nos corredores do Senado, onde anunciou que as ofensas não ficarão impunes e que ele irá "processar" o deputado. "O deputado ultrapassou todos os limites da imunidade parlamentar. Ele tentou assassinar minha reputação para esconder os crimes que revelamos neste relatório", afirmou o deputado federal.

Ele também mencionou que entrará com ação judicial por calúnia e difamação contra Lindbergh Farias, além de formalizar uma representação no Conselho de Ética da Câmara. Por outro lado, Lindbergh Farias afirmou que denúncias foram protocoladas na Polícia Federal, envolvendo vítimas em situação de vulnerabilidade e declarou: "Há dois dias eu fui procurado, e a senadora [Soraya Thronicke] também tem essas informações de denúncias gravíssimas, e nós acabamos de protocolar na Polícia Federal uma notícia de fato".

Segundo o deputado, o processo inclui uma criança de oito anos e uma jovem de 21 anos, que tinha 13 anos na época dos fatos, com acusações de estupro de vulnerável, pedofilia e até trabalho escravo. Farias e Soraya Thronicke afirmam ter indícios e provas do ocorrido. A redação do iG entrou em contato com o gabinete do deputado Lindbergh Farias, mas não obteve retorno. O espaço permanece aberto para manifestações. O Conselho de Ética aguarda a representação e o recebimento oficial da denúncia para avaliar a existência de quebra de decoro que justifique a abertura de um processo disciplinar.