O sonho do PL em destronar os Calheiros em Alagoas: o pesadelo do baixo clero

Ninguém consegue permanecer lngevo na política sem desafetos; Mas daí se pensar em destronar os Calheiros é ter pesadelo diariamente.

O sonho do PL em destronar os Calheiros em Alagoas: o pesadelo do baixo clero

O que para alguns se apresenta como um projeto de renovação política em Alagoas, para outros não passa de um delírio estratégico fadado ao fracasso. O suposto “sonho” do Partido Liberal (PL) de destronar o grupo dos Renan Calheiros e Renan Filho carrega, em sua essência, mais improviso do que consistência — e revela, sobretudo, o desespero do chamado baixo clero em alcançar protagonismo.

A política alagoana não se constrói apenas com discursos inflamados ou movimentos midiáticos. Ela se firma no tempo, na capilaridade e na capacidade de articulação — atributos que o clã Calheiros domina com maestria há décadas. Tentar desbancar essa estrutura sem base sólida é como erguer castelos sobre areia movediça.

O PL, ao ensaiar esse enfrentamento, parece ignorar a realidade dos bastidores. A legenda, que abriga figuras do chamado baixo clero político — parlamentares com pouca densidade eleitoral e dependentes de ondas momentâneas — aposta em um confronto que exige musculatura política, algo que ainda não demonstrou possuir de forma consistente em Alagoas.

Mesmo com o apoio indireto de nomes de projeção nacional, o partido não conseguiu, até aqui, construir um projeto coeso no estado. O que se vê é uma colcha de retalhos: interesses divergentes, lideranças frágeis e uma estratégia que oscila entre o oportunismo e a improvisação. Nesse cenário, o “sonho” de poder se transforma rapidamente em pesadelo.

A tentativa de enfrentamento também esbarra em um fator determinante: a memória política do eleitorado. Em Alagoas, não basta prometer mudança — é preciso demonstrar capacidade real de governar e articular. O grupo dos Calheiros, goste-se ou não, construiu uma trajetória que ainda ecoa em diversas regiões do estado, sustentada por alianças duradouras e presença constante.

Por outro lado, o PL parece apostar mais no desgaste alheio do que em méritos próprios. Essa estratégia, historicamente, raramente produz vitórias consistentes. Sem um projeto claro, sem lideranças com densidade e sem enraizamento popular, a tentativa de ruptura se fragiliza antes mesmo de ganhar corpo.

No fim das contas, o que se vende como um grande projeto de mudança pode não passar de uma narrativa inflada. E enquanto o baixo clero sonha alto, a realidade política trata de impor seus limites.

Em Alagoas, derrubar estruturas consolidadas exige mais do que vontade — exige poder real. E, até agora, esse poder ainda não apareceu.

Creditos: Professor Raul Rodrigues