Vídeo de tragédia na ponte do Tocantins reacende debate

Vídeo de tragédia na ponte do Tocantins reacende debate

Tragédia no Tocantins em Destaque


Imagens do colapso da Ponte Juscelino Kubitschek, que resultou na morte de 14 pessoas e deixou três desaparecidos, voltaram a causar polêmica mais de um ano após a tragédia. O incidente ocorreu em 22 de dezembro de 2024, na divisa entre Maranhão e Tocantins, e as imagens recentes reacenderam discussões sobre a negligência estrutural e a falta de responsabilização.


A Polícia Federal constatou que houve omissão do poder público em relação a riscos previamente identificados, enquanto o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) não apresentou um relatório final consolidado. O vídeo, agora viral nas redes sociais, mostra o momento em que o vão central da ponte cede, com veículos passando pelo local, resultando no colapso.


À medida que a ponte desabava, veículos como caminhões, motocicletas e carros foram lançados no rio Tocantins. Dados oficiais apontam que 18 pessoas estavam envolvidas no acidente, 14 das quais confirmadas como mortas e três desaparecidas. Apenas uma pessoa foi resgatada com vida do local. Entre os veículos que caíram, havia caminhões transportando cargas perigosas, como 76 toneladas de ácido sulfúrico e mais de 20 mil litros de agrotóxicos, gerando preocupações sobre contaminação ambiental nas águas do rio.


Histórico Estrutural da Ponte


A Ponte Juscelino Kubitschek, inaugurada em 1961, tinha uma extensão de 533 metros e um vão central de aproximadamente 140 metros, integrando as BR-226 e BR-010. Inspeções anteriores ao desabamento, realizadas pelo DNIT, já haviam revelado problemas significativos na estrutura, incluindo rachaduras, desgaste do concreto, armaduras expostas e inclinações nos pilares, classificada como precária. Em maio de 2024, foi iniciada uma licitação para reformas na ponte, mas o processo foi cancelado sem a realização das obras.


O laudo da Polícia Federal sobre a tragédia atribuiu a responsabilidade ao conjunto de fatores, como a sobrecarga de veículos, a degradação estrutural e as falhas de manutenção ao longo do tempo. Utilizando tecnologias como drones e escaneamento a laser, foi possível modelar o acidente em 3D, evidenciando que a queda do vão central ocorreu em menos de um segundo, num evento que durou cerca de 15 segundos.


Ações de Resgate e Situação Atual


Após o desabamento, equipes de resgate, incluindo mergulhadores da Marinha, foram mobilizadas para a busca por vítimas sob condições adversas, com forte correnteza e risco de exposição a cargas químicas. A estrutura remanescente da ponte foi demolida em fevereiro de 2025, e uma nova travessia foi reestruturada e reaberta com investimentos federais.


No entanto, mais de um ano após a tragédia, permanece a ausência de qualquer responsabilização formal pelos eventos que levaram ao colapso da ponte, intensificando o debate sobre a segurança de infraestruturas no país e as responsabilidades governamentais.