Vídeo de tragédia na ponte do Tocantins reacende debate
21/03/2026, 22:04:10
Tragédia no Tocantins em Destaque
Imagens do colapso da Ponte Juscelino Kubitschek, que resultou na morte de 14 pessoas e deixou três desaparecidos, voltaram a causar polêmica mais de um ano após a tragédia. O incidente ocorreu em 22 de dezembro de 2024, na divisa entre Maranhão e Tocantins, e as imagens recentes reacenderam discussões sobre a negligência estrutural e a falta de responsabilização.
A Polícia Federal constatou que houve omissão do poder público em relação a riscos previamente identificados, enquanto o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) não apresentou um relatório final consolidado. O vídeo, agora viral nas redes sociais, mostra o momento em que o vão central da ponte cede, com veículos passando pelo local, resultando no colapso.
À medida que a ponte desabava, veículos como caminhões, motocicletas e carros foram lançados no rio Tocantins. Dados oficiais apontam que 18 pessoas estavam envolvidas no acidente, 14 das quais confirmadas como mortas e três desaparecidas. Apenas uma pessoa foi resgatada com vida do local. Entre os veículos que caíram, havia caminhões transportando cargas perigosas, como 76 toneladas de ácido sulfúrico e mais de 20 mil litros de agrotóxicos, gerando preocupações sobre contaminação ambiental nas águas do rio.
Histórico Estrutural da Ponte
A Ponte Juscelino Kubitschek, inaugurada em 1961, tinha uma extensão de 533 metros e um vão central de aproximadamente 140 metros, integrando as BR-226 e BR-010. Inspeções anteriores ao desabamento, realizadas pelo DNIT, já haviam revelado problemas significativos na estrutura, incluindo rachaduras, desgaste do concreto, armaduras expostas e inclinações nos pilares, classificada como precária. Em maio de 2024, foi iniciada uma licitação para reformas na ponte, mas o processo foi cancelado sem a realização das obras.
O laudo da Polícia Federal sobre a tragédia atribuiu a responsabilidade ao conjunto de fatores, como a sobrecarga de veículos, a degradação estrutural e as falhas de manutenção ao longo do tempo. Utilizando tecnologias como drones e escaneamento a laser, foi possível modelar o acidente em 3D, evidenciando que a queda do vão central ocorreu em menos de um segundo, num evento que durou cerca de 15 segundos.
Ações de Resgate e Situação Atual
Após o desabamento, equipes de resgate, incluindo mergulhadores da Marinha, foram mobilizadas para a busca por vítimas sob condições adversas, com forte correnteza e risco de exposição a cargas químicas. A estrutura remanescente da ponte foi demolida em fevereiro de 2025, e uma nova travessia foi reestruturada e reaberta com investimentos federais.
No entanto, mais de um ano após a tragédia, permanece a ausência de qualquer responsabilização formal pelos eventos que levaram ao colapso da ponte, intensificando o debate sobre a segurança de infraestruturas no país e as responsabilidades governamentais.
