Caminhada contra o feminicídio expõe dor, revolta e contradições

Protesto por justiça no caso Ana Beatriz revela indignação popular, mas também levanta questionamentos sobre silêncio e proteção ao “suposto” autor do crime. Ausência de maior participação masculina foi notada.

Caminhada contra o feminicídio expõe dor, revolta e contradições

Acompanhamos a caminhada contra o feminicídio, em protesto às últimas ocorrências registradas em Penedo, em Alagoas e no Brasil. A violência contra as mulheres está em alta.

Mas há pontos de observação que não devem ser levados para os cantos das paredes nem varridos para debaixo do tapete. Sabe-se que, no trajeto da caminhada que cobrava justiça pelo caso da enfermeira Ana Beatriz, estavam presentes pessoas que, em algum momento, acolheram e protegeram o “suposto” assassino, seja por corporativismo, seja por interesses na defesa do criminoso.

A hipocrisia reside exatamente aí: em uma sociedade que se diz solidária, mas silencia mesmo sabendo que, durante a fuga do “suposto” assassino, houve acolhida e proteção a quem tirou a vida de Ana Beatriz e, de seus familiares, a convivência com uma jovem em início de vida e com futuro promissor em sua profissão.

Ao lançar mão de subterfúgios, evitou-se a prisão em flagrante delito, em nome de interesses escusos que dificultaram a atuação efetiva da Polícia Militar e da Polícia Civil no cumprimento de sua missão de prender o infrator da lei.

Contudo, em respeito aos organizadores da marcha contra o feminicídio e em memória da vida ceifada de Ana Beatriz, é necessário registrar: quem esconde e/ou defende criminosos dessa natureza não pode ser ignorado como partícipe dessa dor. Uma dor que somente o tempo e o silêncio reflexivo de familiares e amigos poderão amenizar — jamais apagar da memória de quem conviveu com uma jovem que tinha direito a uma vida longa.

Que Deus conforte os familiares.

Creditos: Professor Raul Rodrigues