Mãe cria rede de apoio para famílias autistas em Alagoas

Mãe cria rede de apoio para famílias autistas em Alagoas

Mãe solo de cinco filhos autistas transforma desafios em recomeço

Após enfrentar violência e múltiplos diagnósticos na família, Luana Rodrigues encontrou na confeitaria uma forma de renda e hoje ajuda outras famílias atípicas. Ela é mãe solo de cinco filhos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e a descoberta do autismo dentro de casa aconteceu de forma gradual. No início, acreditava que apenas um dos filhos estava no espectro, mas novos diagnósticos surgiram com o tempo.

Essa nova realidade exigiu adaptações constantes na rotina, com atenção redobrada à segurança e ao desenvolvimento das crianças. Ciente da necessidade de apoio, Luana decidiu criar a rede de apoio “Famílias Atípicas Empreendedoras”, que reúne pais e mães que precisam trabalhar enquanto cuidam dos filhos.

Luana vive uma rotina intensa, dividida entre seu trabalho de confeiteira, os cuidados com os filhos e o acompanhamento das terapias e consultas necessárias. “Iniciei muito só apanhando no autismo, porque achava que era só aquele filho. Ia para terapias exaustivas, acompanhava as crises, e ele chegava a fugir de casa”, disse Luana.

A rotina requer atenção constante e cuidados extras, especialmente porque alguns de seus filhos também têm diagnósticos de ansiedade. Ela destacou a importância do acolhimento: “Você vê que, quando a criança tem estímulo e acolhimento, ela evolui. Não é só regressão.”

Superando desafios pessoais e financeiros

A vida de Luana também é marcada por episódios de violência. Ela foi vítima de abuso sexual na adolescência e, já adulta, enfrentou um relacionamento abusivo por dez anos. Após conseguir uma medida protetiva, buscou formas de recomeçar e encontrou na confeitaria uma nova fonte de renda. “A confeitaria veio do amor pelos bolos da minha avó”, recorda.

Conciliar o trabalho com os cuidados dos filhos representa um desafio significativo, principalmente devido aos custos elevados com alimentação, medicações e transportes. Luana, que possui deficiência visual, menciona a dificuldade de deslocamento com as crianças: “É muito caro suplementar a alimentação, porque eles são seletivos.”

Motivada por sua experiência, Luana lançou o projeto “Famílias Atípicas Empreendedoras”, que tem como objetivo apoiar outros pais. “Rascunhei o projeto, criei o Instagram e um grupo de negócios. Hoje já são cerca de 420 famílias.” O projeto mostra que, mesmo diante das adversidades, é possível criar um ambiente de suporte e solidariedade entre as famílias com necessidades especiais.