Aumento da violência entre estudantes no Mapa da Mulher Carioca

Aumento da violência entre estudantes no Mapa da Mulher Carioca

Dados do Mapa da Mulher Carioca 2025 revelam um cenário preocupante em diferentes áreas relacionadas à segurança, à educação e ao sistema prisional envolvendo mulheres e meninas. O levantamento aponta que, entre 2024 e 2025, a população feminina privada de liberdade cresceu 3,5%, enquanto entre homens houve redução de 4,5%. Na cidade do Rio de Janeiro, a defesa dos direitos das mulheres também passa pela educação e pela atuação institucional.

Desde 2012, uma lei municipal promove a conscientização e a defesa das mulheres nas escolas da rede municipal. "Percebemos que era fundamental falar também sobre as meninas e adolescentes dentro das salas de aula. Precisávamos trazer esse debate para perto delas, com informação e linguagem adequada", afirmou a vereadora Tânia Bastos (Republicanos).

O estudo também destaca dificuldades estruturais no sistema prisional feminino. Houve redução de 33,3% nas unidades destinadas exclusivamente a mulheres, restando apenas quatro unidades femininas. Em relação à maternidade e cuidado, apenas 20% das unidades possuem berçário, e somente uma unidade prisional conta com creche em todo o sistema.

Na área da saúde, os números também preocupam: existem apenas quatro ginecologistas para atender 3.485 mulheres privadas de liberdade, o que representa cerca de um especialista para cada 871 detentas. Outro dado relevante é a queda de 86,2% nas visitas a mulheres presas entre 2024 e 2025. O levantamento também mostra que mulheres recebem 20% menos visitas que homens, evidenciando fragilidade nos vínculos familiares e sociais.

No ambiente escolar, as ocorrências de violência entre estudantes cresceram 36,8% entre 2023 e 2025. Entre os meninos, 66,4% das agressões são físicas, enquanto entre meninas há crescimento expressivo da violência psicológica e virtual, com aumento superior a 10 vezes nesses casos. A violência autoprovocada também atinge principalmente meninas. O levantamento aponta aumento de 146% entre 2023 e 2025, sendo que 77,3% das ocorrências envolvem meninas.

Quase oito em cada dez vítimas têm entre 12 e 15 anos, e 69% das meninas afetadas são negras. Os dados também mostram que 55% das notificações de violência contra crianças atingem meninas, e que 75% dos casos acontecem dentro de casa. Entre adolescentes vítimas de violência, 67,6% têm entre 10 e 14 anos, enquanto 94,6% dos agressores identificados são homens.

Na Câmara Municipal do Rio, o debate sobre a proteção de meninas e mulheres ganhou espaço institucional em 2009, com a criação da Comissão Permanente de Defesa da Mulher, proposta pela vereadora Tânia Bastos. Segundo a parlamentar, a iniciativa surgiu após a constatação de que não havia um espaço específico no Legislativo municipal para tratar das pautas femininas.

Além disso, em 2012, foi criada uma lei municipal, a 5439-12, que incentiva o debate sobre violência contra meninas e adolescentes dentro das escolas da rede municipal, com ações educativas e informativas voltadas aos estudantes.

A defesa dos direitos das mulheres também será celebrada pela Câmara do Rio com a entrega da Medalha de Mérito Pedro Ernesto à desembargadora Karin Emmerich, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. A magistrada ganhou repercussão nacional ao votar pela condenação de um homem de 35 anos que vivia com uma adolescente de 14 anos, reconhecendo o caso como estupro e não como matrimônio. A homenagem será concedida pela Mesa Diretora da Câmara Municipal do Rio, composta pelos vereadores Carlos Caiado, William Coelho, Tânia Bastos, Rafael Aloisio Freitas e Paulo Messina, como reconhecimento a iniciativas que fortalecem a proteção de meninas e mulheres no país.