Peixes do fim do mundo são encontrados no México

Peixes do fim do mundo são encontrados no México

Descoberta inusitada na praia de Cabo San Lucas


Dois peixes-remo, conhecidos popularmente como "peixe do fim do mundo", foram encontrados na areia de uma praia em Cabo San Lucas, no México. Turistas que estavam no local ajudaram os animais a retornar ao mar. O caso foi registrado pela influenciadora Monica Pittenger, que postou vídeos nas redes sociais. A irmã dela, Katie, foi uma das pessoas que entrou na água para empurrar os peixes de volta. A espécie, conhecida cientificamente como Regalecus glesne, costuma viver em águas profundas e raramente é vista perto da superfície.

Monica relatou que o primeiro peixe estava debilitado e, ao perceber que estava morrendo, sua irmã não hesitou em ajudá-lo a retornar ao mar. Pouco depois, um segundo peixe apareceu, aumentando a surpresa. Ambos foram empurrados de volta à água e nadaram novamente para o oceano.

Reação dos turistas


"Eu não acreditava nos meus olhos. Era algo saído de um filme de ficção. Nunca tinha visto nada assim antes. Quando vimos o segundo, fiquei nervosa. Eu pensei: ‘O que está acontecendo que há dois?’", descreveu Monica em uma entrevista. Pittenger lembrou que sua irmã reagiu rapidamente, ignorando a possibilidade de se colocar em risco, e contou que até uma criança ajudou a apoiar a ação. "Assim que ela viu que estava morrendo, ela não se importou e começou a empurrar de volta com pessoas na beira da praia", disse Monica.

A biologia do peixe-remo


O peixe-remo pode atingir vários metros de comprimento. O corpo é longo, fino e prateado, com uma nadadeira vermelha que se estende por todo o dorso. Segundo o Museu de História Natural da Flórida, a espécie é considerada o peixe ósseo mais longo do mundo. Embora o tamanho mais comum seja por volta de três metros, alguns indivíduos podem chegar a 11 metros. O peso máximo registrado é de 272 quilos.

A espécie vive na zona mesopelágica do oceano, uma região onde não chega luz solar, geralmente entre 200 e mil metros de profundidade. Por isso, os cientistas sabem pouco sobre ela e os avistamentos são raros.

Comportamento do peixe-remo


À noite, alguns desses peixes sobem para perto da superfície para se alimentar, mas voltam para as profundezas durante o dia. Quando são vistos em águas rasas, geralmente estão doentes, morrendo ou foram arrastados por correntes fortes. "A natureza impressionante desse peixe longo e sinuoso é o que levou muitos a imaginar serpentes marinhas", descreve Russ Vetter, biólogo do National Oceanic and Atmospheric Administration.

Legado cultural do peixe-remo


Em algumas culturas, o peixe-remo ganhou o apelido de "peixe do fim do mundo". No Japão, uma lenda tradicional chama a espécie de "ryugu no tsukai", que significa "o mensageiro do palácio do deus dragão do mar". As pessoas acreditavam que os peixes subiam das profundezas para avisar quando um terremoto estava perto. Essa crença ganhou força em 2011, quando 20 peixes-remo apareceram na costa nos meses anteriores ao terremoto mais forte já registrado no Japão. No entanto, não há comprovação científica dessa relação.

"Aparentemente, eles são 'peixes do fim do mundo' e só vêm à superfície quando há terremotos ou tsunamis ou algo assim, mas não há ciência por trás disso. E ainda assim foi extremamente... tipo, mágico", comentou Monica.

Alimentação e reprodução


O peixe-remo não tem dentes visíveis. Ele se alimenta filtrando a água para capturar pequenas presas como krill, que são pequenos crustáceos parecidos com camarões, plâncton e lulas. A reprodução da espécie ainda é pouco conhecida, mas já foi observada na costa do México entre os meses de julho e dezembro. Os ovos são grandes, com dois a quatro milímetros de diâmetro, e flutuam na superfície do oceano até eclodirem, o que pode levar até três semanas. Os filhotes são miniatura dos adultos e se alimentam de plâncton.

A carne do peixe-remo é gelatinosa e considerada não adequada para consumo, por isso não há pesca comercial da espécie. Seus principais predadores são tubarões e outros peixes grandes. O primeiro registro de um peixe-remo vivo filmado por humanos foi feito pela Marinha dos Estados Unidos apenas no ano de 2001.