Bolsonaro propõe CPI do Master e rompe com Ibaneis
11/03/2026, 09:01:25
PL de Bolsonaro propõe CPI do Banco Master
O Partido Liberal (PL) rompeu com o governador Ibaneis Rocha (MDB) e apresentou, nesta terça-feira, uma proposta de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Legislativa do Distrito Federal. O objetivo é investigar as supostas fraudes relacionadas ao Banco Master, uma instituição vinculada ao Banco de Brasília (BRB).
Em 2022, Ibaneis Rocha apoiou Jair Bolsonaro, mas agora se vê em uma posição delicada, tendo perdido espaço na chapa bolsonarista deste ano. O pedido de criação da CPI ganhou força após a divulgação de um contrato suspeito entre o escritório de advocacia de Ibaneis e um fundo da Reag Investimentos, empresa que está sob investigação no âmbito das fraudes do Banco Master. Por conta disso, o governador tornou-se o foco das investigações propostas pelo Legislativo do DF.
A defesa de Ibaneis nega que ele tenha conhecimento sobre as negociações, enfatizando que ele está afastado do escritório desde 2018. "Ele não possui informações sobre negociações realizadas quase seis anos após seu afastamento", declarou sua defesa em nota.
A decisão de romper com Ibaneis partiu da presidente do PL no DF, deputada Bia Kicis, que articulou a proposta junto a outros deputados como Alberto Fraga e Joaquim Roriz. "Não dá mais para esperar. Quando aparecem indícios graves de desvio de recursos, temos obrigação de agir. CPI é instrumento de fiscalização, e esta se tornou inevitável", afirmou Bia Kicis.
O rompimento com Ibaneis aproxima o PL da definição de sua chapa para as eleições. O partido estuda apoiar a atual vice-governadora, Celina Leão (PP), enquanto figurantes como Bia Kicis e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro podem concorrer ao Senado. O clima no PL já indicava uma possível saída de Ibaneis da aliança, especialmente diante da crise relacionada à aquisição do Banco Master pelo BRB, que perdeu apoio na Câmara Legislativa.
Na Assembleia, apenas 17 dos 24 deputados apoiam Ibaneis, e três dos seus até então aliados votaram contra o projeto que permitia ao Governo do DF aplicar recursos no BRB para cobrir os prejuízos do Banco Master. O deputado Thiago Manzoni, um dos que se opuseram, argumentou sobre a falta de garantias suficientes para a votação.
Por outro lado, a oposição no Legislativo se mobiliza para que o Supremo Tribunal Federal (STF) investigue o contrato do escritório de Ibaneis com a Reag. O deputado distrital Fábio Felix (PSOL) solicitou ao ministro André Mendonça, relator do caso, que apure a relação comercial entre o governador e a Reag, além de outros fundos relacionados ao Banco Master.
Além disso, um documento vazado que comprova que o escritório de Ibaneis vendeu direitos referentes a uma condenação de R$ 381,3 milhões contra a União para a Reag Legal Claims está no centro das investigações. A operação realizada com o fundo gerou alarde, principalmente pela sua proximidade com operações financeiras que causaram grandes prejuízos.
A defesa de Ibaneis afirma que ele nunca negociou com a Reag, alegando que o governador só tomou conhecimento dos envolvidos através da mídia. A situação, que envolve fraudes e perigosas relações comerciais, promete crescer em complexidade e repercussão no cenário político do DF.
