Panamá se desculpa após deportação de Franklin Martins
09/03/2026, 22:07:59
Incidente de Deportação
(FOLHAPRESS) - O governo do Panamá reteve e depois deportou para o Brasil, na última sexta-feira (6), o jornalista e ex-ministro da Secom (Secretaria de Comunicação Social) Franklin Martins, quando este fazia uma escala com destino à Cidade da Guatemala, onde participaria de um seminário. Agentes panamenhos o interrogaram, fotografaram e coletaram impressões digitais, colocando-o depois em um voo de volta para o Rio de Janeiro. Franklin atribuiu o incidente à sua prisão durante a ditadura militar e à colaboração intensa entre os governos panamenho e americano.
Pedido de Desculpas
O governo brasileiro pediu explicações à chancelaria panamenha, que no domingo (8) emitiu um pedido formal de desculpas. "O sr. Franklin de Souza Martins será sempre bem-vindo ao Panamá e teremos o prazer de recebê-lo em nosso país", diz a mensagem. Em relato enviado ao Itamaraty, Franklin afirma ter sido abordado no desembarque do aeroporto por dois policiais à paisana e conduzido até uma sala de interrogatório. Lá pediram que ele preenchesse dados pessoais e perguntaram se já havia sido preso.
A Prisão no Brasil
"[O policial] deteve-se especialmente no item da minha prisão em 1968, em Ibiúna. Preferi não entrar em detalhes. Respondi apenas que havia sido preso por motivos políticos. O Brasil vivia sob uma ditadura militar e eu havia lutado durante 21 anos contra ela -e isso não era um crime, mas um dever para os democratas", diz o relato. Franklin foi detido no Congresso da União Nacional dos Estudantes, em Ibiúna (SP), em 1968. Depois, integrou grupo guerrilheiro que participou do sequestro do embaixador americano no Brasil, Charles Burke Elbrick, trocado por presos políticos da ditadura militar.
Interrogatório e Deportação
O ex-ministro relata que perguntou o motivo da prisão aos agentes panamenhos, que citaram a Lei de Migração de 2008, que proíbe conexões via Panamá para passageiros que tenham cometido crimes graves, entre eles sequestros. Ele diz ter sido levado para outra sala, onde foi fotografado de frente e de perfil e teve as impressões digitais coletadas. "Pelo menos, os funcionários da Migración eram mais sociáveis. Permitiram que eu fosse ao banheiro. Autorizaram a compra de um hambúrguer na hora do almoço. Ajudaram a recarregar meu celular...", diz o relato.
Por volta das 14h, Franklin foi colocado em um voo para o Rio de Janeiro. No Brasil, recebeu de volta o passaporte. O Ministério das Relações Exteriores afirmou que o ministro Mauro Vieira entrou em contato com o chanceler do Panamá, que mandou mensagem pedindo desculpas. "Permita-me expressar, em nome do Governo Nacional do Panamá, nossas sinceras desculpas pelo inconveniente causado por esta situação", diz a mensagem do chanceler panamenho.
Reflexões sobre a Ocorrência
A situação levantou discussões sobre a colaboração entre as autoridades dos dois países e sobre os métodos de controle de imigração. Alguns acreditam que este incidente pode ser um reflexo de um padrão de vigilância mais rigoroso em cima de viajantes com histórias politicamente sensíveis. A deportação de Franklin levanta questões sobre a política de imigração do Panamá e suas implicações para cidadãos com histórico de ativismo político.
